A jornalista Malu Gaspar foi alvo de ofensivas de Daniel Vorcaro em conluio com o publicitário Thiago Miranda
Reprodução/Globonews
A jornalista Malu Gaspar foi alvo de ofensivas de Daniel Vorcaro em conluio com o publicitário Thiago Miranda

Mais uma vez o empresário Daniel Vorcaro figura em caso de censura envolvendo planos violentos contra jornalistas . Por meio de uma série de  diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF), foi revelado um plano coordenado pelo dono do Banco Master com o publicitário Thiago Miranda na fim de barrar o trabalho da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A jornalista teve sua vida privada vasculhada minuciosamente e estava no núcleo de uma "proposta milionária" a fim de minar o trabalho jornalístico investigativo.

Troca de mensagens de Vorcaro com Thiago Miranda
Divulgação/Fatos Online
Troca de mensagens de Vorcaro com Thiago Miranda


A estratégia detalhada da dupla é revelada originalmente pelo portal Fatos Online que revela a tentativa de "compra do silêncio" da jornalista por Vorcaro e o publicitário. A proposta era de uma "luva" de R$ 1,5 milhões e salário mensal de R$ 120 mil, com Thiago afirmando ao banqueiro que ia marcar uma conversa com a jornalista.

Troca de mensagens de Daniel Vorcaro com publicitário Thiago Miranda sobre Malu Gaspar
Divulgação/Fatos Online
Troca de mensagens de Daniel Vorcaro com publicitário Thiago Miranda sobre Malu Gaspar


"Cala-te boca"

Entre os arquivos apreendidos pela PF, consta uma "Carta Proposta Malu Gaspar" com a proposta indecorosa detalhada e assinada por Thiago Miranda e Ivan Oliveira, ambos CEO e COO do Grupo Leo Dias de Comunicação.

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Proposta de emprego à colunista

A oferta tinha como objetivo principal fazer que Malu saísse dos jornais que trabalha e assim, fazê-la parar de publicar as denúncias sobre o Banco Maste r. A caça e ofensiva contra a jornalista começou a ser desenhada em 2025, entre março e abril.

De acordo com as mensagens,  Daniel Vorcaro se mostrava incomodado com as reportagens subsequentes que revelavam as fragilidades financeiras e movimentações suspeitas do Master junto ao Banco Regional de Brasília (BRB).



Fracasso do monitoramento ilegal

Vorcaro deu uma ordem explícita a Miranda por meio das mensagens: "vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal". De pronto o publicitário prometeu "revirar a vida dela" para encontrar qualquer ponta solta ou "podre".

Porém, o monitoramento ilegal e a varredura por escândalos pessoais falharam. Segundo a Polícia Federal, a dupla revirou registros bancários, score - pontuações de crédito - e processos judiciais antigos da colunista, datando até o ano de 1992. Mediante a falta de quaisquer irregularidades, o próprio publicitário ironizou a situação dizendo que não encontrou "nem multa na CNH dela".

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Troca de mensagens de Daniel Vorcaro com publicitário Thiago Miranda sobre Malu Gaspar

Depois da primeira linha de desmonte à Malu Gaspar fracassar,  Daniel Vorcaro e Thiago Miranda mudaram a estratégia. Em 8 de abril de 2025, foi aí que a dupla decidiu desenhar um plano milionário a fim de contratar a jornalista para benefício próprio. Ela era cotada para apresentar um  programa diário de economia na Leo Dias TV, veículo controlado pelos sócios.

A investida de Vorcaro acabou causando um efeito inverso. Segundo desabafos do empresário em mensagens posteriores a proposta, Malu Gaspar e também o jornalista Lauro Jardim retornaram "com mais fúria", mantendo a imparcialidade das publicações jornalísticas.

Troca de mensagens de Daniel Vorcaro com publicitário Thiago Miranda sobre Malu Gaspar
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Troca de mensagens de Daniel Vorcaro com publicitário Thiago Miranda sobre Malu Gaspar


Com a resistência e em resposta a Daniel Vorcaro, Miranda insistiu na retomada da perseguição pessoal à colunista como "questão de honra". A conversa é encerrada opelo empresário na sequência com a afirmação: “Quer sangrar enquanto houver sangue”.

Posicionamentos do veículo e jornalista

Em resposta oficial sobre o caso, o jornal O Globo emitiu uma nota de repúdio categórica à devassa planejada contra a colunista e classificou o caso como um ataque direto à liberdade de imprensa, evidenciado o modus operandi de organizações criminosas. O veículo afirmou que os profissionais não vão deixar-se intimidar e vão continuar exercendo a função de informar as pessoas e finalizou enfatizando que "os envolvidos nessa trama de perseguição devem ser investigados com rigor".

Em suas redes sociais oficiais, a jornalista Malu Gaspar se posicionou destacando que continua onde sempre esteve e sempre estará: "fazendo jornalismo e levando minha vida comum e muito feliz, fiel aos meus princípios", pontuou.

O caso segue sob  investigação criminal dentro nos desdobramentos da Operação Compliance Zero encabeçada pela PF, sob a tutela e autorização judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram  fraudes no sistema financeiro, dentre outros crimes. 

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