
A Midea, multinacional chinesa fabricante de eletrodomésticos e aparelhos de climatização, foi denunciada no ano passado por ''violência, assédio e discriminação nas relações de trabalho'' (veja documento abaixo). E na última semana, voltou a ser alvo de denúncias, dessa vez por agressão.
As denuncias dos dois casos foram registradas na filial de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. Na última delas, em junho passado, um funcionário afirma ter sido agredido por um gerente de qualidade ao verificar uma interrupção na linha de produção.
Fábrica diz que afastou gestor suspeito de agressões
Segundo uma das denúncias, no dia 15 de junho o gestor deu socos e golpes no trabalhador utilizando uma borracha de vedação de geladeira, peça conhecida como “gaxeta”, que é produzida na própria fábrica. O Sindicato Metalúrgico de Pouso Alegre tomou conhecimento e afirma estar investigando.
Assim que outros funcionários ficaram sabendo, dezenas de trabalhadores da fábrica paralisaram as atividades por cerca de uma hora, na terça-feira (23).
Em um comunicado no site oficial, a Midea informou que o gerente foi afastado das atividades. A empresa também afirma que os fatos estão sendo apurados e que está à disposição para os esclarecimentos necessários.
Veja comunicado na íntegra:
"A Midea Indústria do Brasil informa que está ciente das alegações veiculadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região, tendo adotado, à data do evento, as medidas previstas em nossos protocolos internos, afastando o envolvido enquanto os fatos são apurados com seriedade e imparcialidade.
A companhia reforça que não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação ou conduta incompatível com seus valores, Código de Conduta e políticas internas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos necessários e colaboração com as autoridades e órgãos competentes."
Midea demora três dias para dar retorno
O iG procurou a empresa no domingo (28), quando tomou conhecimento do caso, pedindo um posicionamento além do comunicado oficial.A empresa retornou o contato somente na quarta-feira (01), horas depois da reportagem ser publicada, e enviou uma nota.
No comunicado, a MIdea manteve o teor do divulgado no site oficial a respeito do caso de junho de 2026, como informado anteriormente.
Outra denúncia: funcionária diz que sofreu maus tratos em 2025
A reportagem do iG teve acesso a um documento do Ministério Público do Trabalho que relata um caso de violência, assédio e discriminação nas relações de trabalho contra uma funcionária, na mesma unidade da Midea.
O documento é de setembro de 2025. Segundo a denunciante, os gestores não gostavam que os funcionários fossem ao banheiro, por exemplo, e outras ações ilegais, como agressão.
"Pegam no nosso braço e nos puxam pro lugar que querem nos mostrar. Ou então jogam os objetos como peças em nossa direção no sentido de desprezo para realizarmos alguma correção. Jogam carrinhos em nossa direção... Ela não gostava que saíamos para ir para o banheiro" Trecho citado em Portaria do Ministério Público do Trabalho
Após a denúncia, o MPT determinou a instauração de um inquérito civil, por ordem do Procurador do Trabalho, Carlos Alberto Costa Peixoto, que assina o documento. A assessoria do MPT informou ao iG que foi dado andamento ao caso, porém, não forneceu detalhes.
Veja o documento (o nome da denunciante foi preservado):
A empresa não respondeu os questionamentos do iG sobre a denúncia registrada em 2025.

Midea
A Midea é uma multinacional chinesa fabricante de eletrodomésticos e aparelhos de climatização. A empresa é considerada a maior fabricante mundial de eletrodomésticos e equipamentos de climatização.
Ela é conhecida por produzir aparelhos como geladeiras, lavadoras, micro-ondas, climatizadores e robôs aspiradores.
No Brasil, possui três fábricas: uma em Pouso Alegre (MG), outra em Manaus e uma em Canoas, no Rio Grande do Sul.
Em 2025, a multinacional faturou aproximadamente US$ 65,5 bilhões (R$ 338 bilhões na cotação atual).