Acusada matar duas crianças com ovo de Páscoa envenenado no MA será julgada neste mês de junho
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Acusada matar duas crianças com ovo de Páscoa envenenado no MA será julgada neste mês de junho

Jordélia Pereira Barbosa, acusada de matar duas crianças após o envio de um ovo de Páscoa envenenado , será julgada pelo Tribunal do Júri no próximo dia 22 de junho, em Imperatriz, no Maranhão . Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) , ela responderá por dois homicídios quadruplamente qualificados e uma tentativa de homicídio triplamente qualificada.

A acusada está presa desde 17 de abril do ano passado e é apontada pelas investigações como responsável por enviar um ovo de Páscoa adulterado com veneno para a residência de Mirian Lira Rocha. O alimento foi consumido pela mulher e pelos dois filhos, Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, que morreram após a intoxicação.

O julgamento será realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Imperatriz. A acusação ficará a cargo do promotor de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira, titular da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz e responsável pela denúncia apresentada contra Jordélia.

Jordélia Pereira Barbosa, acusada de matar duas crianças após o envio de um ovo de Páscoa envenenado
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Jordélia Pereira Barbosa, acusada de matar duas crianças após o envio de um ovo de Páscoa envenenado


Relembre o caso

O caso aconteceu em abril de 2025 e ganhou repercussão nacional após a morte das duas crianças. Segundo as investigações, a família recebeu em casa um ovo de Páscoa acompanhado de um bilhete aparentemente afetuoso.

Na noite em que consumiram o chocolate, Mirian e os dois filhos passaram mal e precisaram ser levados ao hospital. Luiz Fernando morreu poucas horas depois de ser internado. Já a irmã, Evillyn, não resistiu às complicações e morreu cinco dias depois.

A mãe das crianças também ingeriu o alimento envenenado, sofreu uma grave intoxicação e precisou ser hospitalizada. Ela sobreviveu após receber atendimento médico.

Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, morreram após a intoxicação
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Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, morreram após a intoxicação


O que diz a acusação

De acordo com o Ministério Público, Jordélia Pereira Barbosa planejou e executou a ação criminosa utilizando um ovo de Páscoa contaminado com uma substância tóxica para atingir Mirian Lira Rocha.

A denúncia aponta que a acusada responderá pela tentativa de homicídio da mãe das crianças com as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno e dissimulação.

Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por ciúmes e inconformismo com o relacionamento da vítima com o ex-companheiro de Jordélia. Por isso, o Ministério Público enquadrou o caso na qualificadora de motivo torpe, utilizada quando a motivação do crime é considerada especialmente reprovável.

Em relação às duas mortes, o MP atribui à ré dois homicídios quadruplamente qualificados. Além das qualificadoras de motivo torpe, emprego de veneno e dissimulação, a acusação considera o fato de as vítimas terem menos de 14 anos.

Pela legislação brasileira, a pena prevista para homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos de prisão para cada crime.

Provas reunidas pela investigação

Conforme o Ministério Público, a denúncia é sustentada por um amplo conjunto de provas, incluindo depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, registros de deslocamento, conversas extraídas de aparelhos celulares, apreensão de objetos e laudos periciais.

Os exames identificaram a presença de Terbufos, substância altamente tóxica utilizada como agrotóxico, em materiais apreendidos pela polícia, no alimento consumido pela família e em amostras biológicas das vítimas.

Ainda de acordo com a acusação, Jordélia teria viajado de Santa Inês (MA) para Imperatriz utilizando disfarces e identidade falsa. A investigação sustenta que ela adquiriu o ovo de Páscoa, adulterou o produto com veneno e terceirizou a entrega por meio de um mototaxista.

Após o crime, a mulher foi presa durante uma tentativa de retornar para Santa Inês. Com ela, foram apreendidos objetos que, segundo o MP, fazem parte do conjunto de elementos que indicam planejamento e execução da ação.

Defesa tentou evitar julgamento

Embora a denúncia tenha sido aceita pela Justiça ainda em 2025, o julgamento demorou mais de um ano para ser marcado.

Após a decisão que determinou o envio do caso ao Tribunal do Júri, a defesa apresentou recursos tentando reverter a medida. Entre os pedidos estavam a anulação da decisão, a retirada do caso do júri popular e a reclassificação dos crimes atribuídos à acusada.


Os recursos foram analisados pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, o que prolongou a tramitação até a confirmação da data do julgamento.

Por se tratar de crimes dolosos contra a vida, caberá ao Conselho de Sentença, formado por jurados da comunidade, decidir se Jordélia Pereira Barbosa deve ser condenada ou absolvida. A partir da decisão dos jurados, o juiz presidente do Tribunal do Júri será responsável por fixar eventual pena, em caso de condenação.

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