
A Prefeitura de Ourilândia do Norte, no estado do Pará, decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-prefeito e vereador Romildo Veloso e Silva (PP), apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos que mataram a ex-esposa, Ilcicléia Alves Veloso, momentos antes da morte dele.
A homenagem foi publicada poucas horas depois do crime ocorrido na quarta-feira (03), dentro de um escritório de advocacia da cidade. Na ocasião, Ilcicléia foi baleada durante uma reunião para assinatura do divórcio e da partilha de bens. Ela chegou a ser socorrida em estado gravíssimo, mas morreu no dia seguinte.
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No decreto e na nota de pesar divulgados nas redes sociais oficiais, a Prefeitura destacou a trajetória política de Romildo, que governou o município por quatro mandatos, somando 16 anos no cargo.
A administração municipal afirmou que o ex-prefeito teve papel importante no desenvolvimento da cidade e manifestou solidariedade aos familiares.

Quando a homenagem foi publicada, Romildo já havia sido encontrado morto dentro do mesmo escritório e era tratado pela Polícia Civil como principal suspeito de ter atirado contra a ex-esposa.
Segundo a investigação, o casal estava separado havia cerca de três meses. Eles se reuniram para formalizar o fim do casamento. Funcionários relataram que Romildo pediu para conversar sozinho com Ilcicléia antes da assinatura dos documentos.
Pouco depois, testemunhas ouviram disparos.
Policiais encontraram Ilcicléia ainda com vida. Ela foi levada inicialmente ao Hospital Municipal de Ourilândia do Norte, no estado do Pará, e depois transferida para o Hospital Regional da PA-279, onde morreu.
Romildo foi encontrado morto no banheiro do escritório. Uma arma também foi apreendida no local.
Prefeitura também divulgou nota para a vítima
Após a repercussão da homenagem ao ex-prefeito, a Prefeitura publicou uma segunda manifestação, desta vez em solidariedade a Ilcicléia Alves Veloso.
No texto, a administração municipal destacou a atuação dela como empresária e ex-primeira-dama do município.
O iG procurou a Prefeitura de Ourilândia do Norte para saber se a administração tinha conhecimento de que Romildo era apontado pela polícia como autor dos disparos quando decidiu decretar luto oficial e divulgar a homenagem pública.
A reportagem também questionou se o município pretende rever o decreto ou retirar a manifestação divulgada nas redes sociais.
Até a publicação deste texto, não houve resposta.
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio seguido da morte do autor.