Polícia Civil cumpriu mandados em quatro estados contra suspeitos de criar campanhas falsas usando a história real de um menino com doença rara
Foto: PCRS/Divulgação
Polícia Civil cumpriu mandados em quatro estados contra suspeitos de criar campanhas falsas usando a história real de um menino com doença rara

Um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de falsas campanhas beneficentes na internet foi alvo da Polícia Civil do Rio Grande do Sul na manhã desta quinta-feira (28). Conforme a investigação, um trio usava a história real de um menino portador de doença rara para enganar doadores e desviar arrecadações via PIX.

O menino, morador de Capão da Canoa (RS), se chama Lorenzo Silveira, tem 12 anos e sofre de distrofia muscular de Duchenne, doença que exige tratamento caro. Conforme a Polícia Civil, os investigados copiavam campanhas verdadeiras de arrecadação feitas pela família e criavam páginas falsas e anúncios patrocinados nas redes sociais para simular pedidos legítimos de ajuda.

Segundo a polícia, as publicações reproduziam fotos de Lorenzo, informações sobre a condição de saúde dele e até elementos visuais semelhantes aos utilizados nas campanhas originais, o que dava aparência de autenticidade às arrecadações fraudulentas e induzia vítimas a realizarem transferências via PIX.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, seis de busca e apreensão e medidas de bloqueio de ativos financeiros nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Três pessoas foram presas até o momento. Um homem de 30 anos, morador de Curitiba, apontado como responsável pela estrutura financeira do esquema. Outro homem, também de 30 anos, residente em Londrina (PR), seria ligado à operacionalização das empresas usadas para movimentar os valores. Já um terceiro suspeito, de 31 anos, morador de Contagem, em Minas Gerais, seria responsável pelo registro e manutenção dos domínios utilizados nas páginas fraudulentas.


Estrutura milionária e possível centena de vítimas

Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam uma estrutura digital e financeira considerada sofisticada, incluindo registros de domínios hospedados em servidores fora do Brasil e empresas intermediadoras de pagamento para ocultar os valores arrecadados.

A Polícia Civil identificou intensa movimentação financeira nas contas ligadas à empresa utilizada pelo grupo. Conforme a corporação, os valores movimentados chegam à casa dos milhões de reais, por meio de grande quantidade de transferências de pequeno valor feitas por múltiplas vítimas, o que sugere os golpes envolvendo falsas campanhas beneficentes.

Uma das falsas campanhas sozinhas identificadas durante a investigação possuía arrecadação superior a R$ 248 mil, inclusive.

De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que o golpe tenha alcançado vítimas em diferentes estados do país, possivelmente na casa das centenas de pessoas enganadas. O tamanho total do prejuízo ainda não foi contabilizado.

Durante a operação, os policiais apreenderam um veículo que poderá ser utilizado para ressarcimento, além de materiais relacionados ao funcionamento dos gateways de pagamento do esquema de golpes e uma arma de Airsoft.

As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas, possíveis coautores e o valor total dos desvios feitos pelo grupo criminoso.

A ação, batizada de Operação Eclipse, foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/Dercc).

O que é a Síndrome de Duchenne?

Conforme o movimento Duchenne, a Síndrome de Duchenne (ou, distrofia muscular de Duchenne) causa perda progressiva de força muscular e acaba afetando movimentos simples do dia a dia, como se erguer para ficar de pé.


A causa é genética e resulta em degeneração e fraqueza progressiva  dos músculos esqueléticos, que controlam os movimentos. Isso ocorre pela falta de distrofina, uma proteína que proporciona a estabilidade da membrana do músculo.

Ou seja, ao longo do tempo, os músculos se enfraquecem mais, causando dificuldades para correr, pular e, em estágios mais avançados, respirar.

A doença não tem cura e geralmente ocorre em meninos, mas o tratamento atualmente consegue retardar efeitos e oferecer uma significativa melhora de qualidade de vida.

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