
Uma nova espécie de polvo azul do tamanho de uma bola de golfe, que cabe na palma da mão, chamou atenção de cientistas após ser encontrada em uma região profunda e pouco explorada do oceano próximo às Ilhas Galápagos, no Equador.
Pequeno, raro e difícil de localizar, o animal vive a quase 1,8 mil metros de profundidade e impressionou os pesquisadores pela forte coloração azul, incomum em espécies encontradas no fundo do mar.
O polvo, batizado de Microeledone galapagensis, foi identificado durante uma expedição científica realizada com um submarino robótico e teve a descoberta publicada nesta segunda-feira (25) na revista científica Zootaxa.

O molusco analisado era uma fêmea com cerca de três centímetros na região principal do corpo, conhecida como manto, deixando o animal com tamanho parecido ao de uma bola de golfe.
As primeiras reações da equipe ao ver o animal pelas câmeras do submarino foram gravadas durante a missão. “Ele é minúsculo” e “É azul”, disseram os pesquisadores ao identificar o polvo no fundo do mar.
Região pouco explorada
O polvo foi recolhido durante uma expedição do navio de pesquisa E/V Nautilus na Reserva Marinha de Galápagos. A missão contou com parceria da Charles Darwin Foundation e da diretoria do Parque Nacional de Galápagos. O animal estava em uma área de areia e pedras vulcânicas, em uma montanha submarina localizada a cerca de 25 quilômetros da ilha Darwin.
Além do exemplar coletado, outros três polvos parecidos foram vistos na mesma região entre 1.770 e 2.006 metros de profundidade, mas não chegaram a ser capturados. Todos estavam descansando sobre o fundo do oceano.

Os pesquisadores explicaram que os polvos dessa família eram conhecidos principalmente em regiões geladas próximas da Antártida e costumavam ter tamanho maior. A nova espécie encontrada perto da linha do Equador contraria essa ideia anterior e levou os cientistas a revisar a classificação do grupo.
Os autores afirmaram no artigo que os polvos das áreas profundas do Oceano Pacífico tropical ainda são pouco conhecidos e que encontrar animais em grandes profundidades continua sendo raro, o que dificulta entender melhor a diversidade dessas espécies.
A pesquisadora Janet Voight, autora principal do estudo e especialista em polvos, afirmou que nunca havia visto um animal parecido em mais de 40 anos de pesquisas sobre evolução desses moluscos.
Já a cientista Salome Buglass destacou que a descoberta mostra o quanto o oceano profundo de Galápagos ainda é pouco explorado e como novas espécies ajudam os cientistas a entender ambientes que permanecem praticamente escondidos da ciência.
Corpo quase sem cor na parte superior
Segundo o estudo, o Microeledone galapagensis possui pele lisa, poucos braços com ventosas e quase nenhuma cor na parte de cima do corpo. Já a parte inferior apresenta tons fortes de azul e roxo.
Os cientistas também destacaram que o animal não possui saco de tinta, estrutura usada por muitos polvos para se defender de predadores. O estudo mostra ainda que os braços curtos podem ser uma adaptação do animal para economizar energia durante a reprodução em ambientes extremos do fundo do mar.
A análise foi feita com tomografia computadorizada em alta resolução, que permitiu observar o interior do corpo sem danificar o único exemplar disponível. Segundo os autores, a técnica ajudou a revelar detalhes raros de espécies que vivem em grandes profundidades. Os pesquisadores optaram por esse método porque seria necessário cortar o animal para estudar partes como boca, bico e dentes, o que poderia estragar o único exemplar conhecido.
As imagens foram criadas a partir de milhares de registros de raio-X reunidos digitalmente para formar um modelo em três dimensões do corpo do polvo. Isso permitiu observar os órgãos internos sem abrir o animal. Segundo os cientistas, a análise confirmou que se tratava de uma espécie nunca vista antes pela ciência.