
Um estudo divulgado pela Universidade de São Paulo (USP), nesta sexta-feira (22), revela que diversos poços artesianos da região metropolitana de São Paulo estão em risco de contaminação por resíduos industriais. O artigo estima que existam 2.500 poços devidamente cadastrados, sendo que a metade deles podem estar localizados em antigas áreas industriais.
A divulgação do estudo feita pelo Jornal da USP, ainda mostra a dificuldade que os pesquisadores possuem para conseguir acompanhar a qualidade da água dos poços por conta da falta de registro deles. A pesquisa diz que aproximadamente 10 mil poços da Grande São Paulo não possuem registro.
A falta desse registro dificulta o acompanhamento da qualidade química da água dos poços, e esse monitoramento é importante, considerando que muitos deles foram perfurados em áreas que antes eram ocupadas por indústrias ou em regiões adjacentes Daphne Pino, pesquisadora do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas (Cepas-USP) e autora do artigo
Dificuldade para recuperar os poços
Mesmo com toda a dificuldade, existem poços artesianos que possuem solução. Os pesquisadores mostraram que em 1.902 casos, em todo estado paulista, foi possível fazer a recuperação da água. Porém, esse é um processo que demanda tempo, em média 15 anos, segundo os especialistas.
Ainda existem casos em que a água não é recuperável para consumo humano. Por mais que a água não apresente cheiro, cor ou gosto, não quer dizer que ela é potável, ressalta Reginaldo Bertolo, professor do Instituto de Geociências e pesquisador do Cepas-USP.
O primeiro passo é analisar a qualidade da água do poço, e, se houver contaminação, o uso dessa água deve ser interrompido. Depois disso, devem ser feitos estudos para entender a origem e a extensão da contaminação e para definir quais técnicas de gestão do problema podem ser aplicadas: uma remediação, outras medidas de engenharia ou medidas institucionais, como a restrição do uso da água do poço. Daphne Pino, pesquisadora do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas (Cepas-USP) e autora do artigo
Contaminação por resíduos industriais
O artigo estuda a contaminação por solventes organoclorados provenientes de atividades industriais. Esse tipo de resíduo muitas vezes é imperceptível para as pessoas, porém pode apresentar riscos à saúde. De acordo com os pesquisadores, tomar água contaminada pode causar danos neurológicos, alterações no fígado e nos rins e, inclusive, aumento no risco de câncer.
Em contato com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o órgão informou que mantém atuação permanente na identificação, monitoramento e reabilitação de áreas contaminadas em todo o estado, incluindo o acompanhamento da qualidade das águas subterrâneas.
Leia a nota na íntegra:
"A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informa que mantém atuação permanente na identificação, monitoramento e reabilitação de áreas contaminadas em todo o estado, incluindo o acompanhamento da qualidade das águas subterrâneas. Atualmente, são cerca de 7,5 mil áreas cadastradas, das quais quase 3 mil já passaram por processo de remediação. No município de São Paulo, 43% dessas áreas já foram reabilitadas para uso seguro".