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Uma delegada e um agente aposentado da Polícia Federal (PF) estão entre os alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quinta-feira (14). Valéria Vieira Pereira da Silva e o marido dela, Francisco José Pereira da Silva, são suspeitos de acessar o sistema interno da corporação para obter e repassar informações sigilosas do e-Pol a integrantes do grupo investigado no caso Vorcaro.

Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o casal teria atuado em favor de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado pela investigação como um dos líderes da organização.

A PF afirma que Valéria e Francisco tinham “acesso, contatos e conhecimento técnico” capazes de favorecer a continuidade das atividades do grupo. Ela foi afastada do cargo. Os dois também estão proibidos de entrar em unidades da PF ou manter contato com policiais da ativa e aposentados.

Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro,  também foi preso nesta nova fase em Nova Lima (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte.

A investigação apura suspeitas de invasões cibernéticas, monitoramento ilegal, intimidação e obtenção clandestina de informações.

De acordo com o documento, as investigações apontam dois braços operacionais da organização criminosa.

Em juízo de cognição sumária, os autos revelam quadro indiciário robusto no sentido de que a organização criminosa investigada se valeu de dois braços operacionais especializados para satisfazer os interesses do núcleo central: (i) um, de atuação presencial e policial informacional, voltado a intimidações, levantamentos clandestinos e obtenção de dados sigilosos; (ii) outro, de atuação digital, vocacionado a ataques cibernéticos e monitoramento telemático ilícito. Ambos eram gerenciados por FELIPE MOURÃO e predispostos a atender comandos emanados de DANIEL VORCARO e, segundo os novos elementos, também de HENRIQUE MOURA VORCARO."trecho da decisão do ministro André Mendonça




A decisão também explica como o grupo se organizava e conseguia informações sigilosas.

Ainda segundo a representação, o núcleo “A Turma” contou com a participação de policiais federais em atividade e aposentados, operadores do jogo do bicho e outras pessoas ainda não integralmente identificadas. Já o núcleo “Os Meninos” reuniu agentes com perfil hacker, remunerados para a execução de invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais. Paralelamente, foram reunidos indícios de apoio patrimonial, contábil e logístico por meio de interpostas pessoas, além do repasse de informações sigilosas a partir de consultas indevidas ao sistema e-Pol." trecho da decisão do ministro André Mendonça




Para o ministro, há evidências que compravam também o embaraço às investigações.

Isso porque a representação descreve, com apoio em robustos elementos, a persistência dos núcleos “A Turma” e “Os Meninos”, a existência de integrantes ainda não identificados em liberdade, o financiamento contínuo das atividades, a capacidade de destruição de provas digitais e o uso de agentes com expertise tecnológica e acesso a sistemas internos do Estado. Trata-se de circunstâncias que evidenciam risco concreto de reiteração e de embaraço às investigações. trecho da decisão do ministro André Mendonça


O núcleo policial

Além do casal, outros dois policiais federais aparecem entre os investigados.

Anderson Wander da Silva Lima, agente da PF em atividade no Rio de Janeiro, teve prisão preventiva decretada. Segundo a investigação, ele fazia consultas indevidas em sistemas internos e compartilhava dados sigilosos com integrantes do grupo.

Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado, também foi preso. A PF diz que ele atuava no núcleo operacional da organização e mantinha contato frequente com Henrique Vorcaro e Marilson Roseno.

Os presos da operação

Ao todo, o STF autorizou sete prisões preventivas.

Henrique Moura Vorcaro

Pai de Daniel Vorcaro, é apontado como responsável por solicitar serviços ao grupo e financiar parte da estrutura investigada.

Anderson Wander da Silva Lima

Policial federal da ativa. Teria usado o cargo para acessar dados sigilosos.

Sebastião Monteiro Júnior

Policial aposentado da PF. É citado como integrante operacional da chamada “Turma”.

David Henrique Alves

Apontado como chefe de um núcleo ligado a ataques cibernéticos e invasões de dispositivos eletrônicos.

Victor Lima Sedlmaier

Investigado por participação no braço tecnológico do grupo.

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos

Também ligado, segundo a PF, às ações de invasão e monitoramento ilegal.

Manoel Mendes Rodrigues

Descrito na investigação como líder de um braço da organização no Rio de Janeiro.

Quem não foi preso

Outros cinco investigados foram alvo de medidas cautelares, sem prisão preventiva.

Valéria Vieira Pereira da Silva

Delegada da Polícia Federal. É suspeita de acessar e repassar dados sigilosos.

Francisco José Pereira da Silva

Agente aposentado da PF e marido de Valéria. Também é investigado pelo suposto vazamento de informações internas.

Erlene Nonato Lacerda

Segundo a PF, atuaria como operadora financeira de Marilson Roseno.

Helder Alves de Lima

Contador ligado a empresas usadas pelo grupo investigado.

Katherine Venâncio Telles

É citada por suposto apoio logístico ao núcleo de tecnologia.


Ligação com Daniel Vorcaro

A nova fase da operação acontece dias depois de a defesa de Daniel Vorcaro entregar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada ligada ao caso Master, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias no mercado financeiro.

Até agora, porém, a PF não afirmou que a ação desta quinta tenha relação direta com a negociação da delação.

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