A operação constatou que os trabalhadores viviam em condições degradáveis de alojamentos e atuavam no plantio de cana-de-açúcar
Divulgação MPT
A operação constatou que os trabalhadores viviam em condições degradáveis de alojamentos e atuavam no plantio de cana-de-açúcar

Trabalhadores que viviam em situações análogas à escravidão, foram resgatados na cidade de Terra Roxa, no interior de São Paulo. Ao todo, 35 pessoas foram encontradas e acolhidas pela força-tarefa que mobilizou o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Polícia Federal (PF). A operação constatou que os trabalhadores viviam em condições degradáveis de alojamentos e atuavam no plantio de cana-de-açúcar.

Os trabalhadores estavam instalados em cinco alojamentos diferentes
Divulgação MPT
Os trabalhadores estavam instalados em cinco alojamentos diferentes

O grupo foi contratado por uma empresa agrícola, por intermédio de um empreiteiro, que trouxe os migrantes dos estados de Minas Gerais e da Bahia. Os trabalhadores estavam instalados em cinco alojamentos diferentes. No momento da fiscalização, parte deles se preparavam para deixar o local, mesmo sem pagamento ou garantias trabalhistas, devido às condições miseráveis que se encontravam.

Instalação dos trabalhadores
Divulgação MPT
Instalação dos trabalhadores


Irregularidades encontradas

Os alojamentos vistoriados apresentavam péssimas condições de higiene e conforto, como:

- colchões super finos jogados no chão para dormir
- ausência de armários para roupas ou roupas de cama
- chuveiros adaptados com garrafas pet
- umidade excessiva
- inexistência de encanamentos nas lavanderias
- estrutura precária e pequena para o número de residentes

Condições precárias encontradas nos alojamentos
Divulgação MPT
Condições precárias encontradas nos alojamentos


Medidas tomadas

Após a fiscalização e constatação das irregularidades, os trabalhadores foram inicialmente transferidos para um hotel na cidade de Bebedouro (SP), com custos de hospedagem arcados pelo contratante. No entanto, a responsável declarou não possuir condições financeiras para quitar as verbas rescisórias devidas, mantendo os trabalhadores desamparados fora de suas regiões de origem.

A atuação da força-tarefa nacional expôs uma grave situação humanitária, com o resgate de 35 trabalhadores submetidos a condições degradantes de alojamento no plantio de cana-de-açúcar. O foco primordial da equipe, nestas circunstâncias, foi garantir a imediata interrupção da exploração e o adimplemento das verbas rescisórias para viabilizar o retorno desses cidadãos às suas origens. Procurador do caso - Marcel Bianchini Trentin


Desdobramentos

Em uma audiência realizada no dia 14 de abril, na Gerência Regional do Trabalho em Ribeirão Preto (SP), o caso avançou para uma solução. A investigação apontou que não havia vínculo de emprego nem terceirização entre os trabalhadores e a usina que recebeu a cana-de-açúcar. Mesmo assim, a empresa foi chamada para prestar esclarecimentos.

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Como a empresa responsável pelos trabalhadores enfrenta dificuldades financeiras e a situação deles é grave, a usina decidiu pagar todas as verbas rescisórias. O valor, de R$ 500.776,46, será pago como uma doação voluntária, com o objetivo de ajudar os trabalhadores, resolver o problema social e garantir que eles consigam voltar para seus estados de origem.

O acordo prevê que o dinheiro será pago diretamente a cada trabalhador, com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho e de auditores fiscais. Além disso, para evitar situações parecidas no futuro, o MPT deve emitir uma recomendação para reforçar a fiscalização na cadeia produtiva da usina.

O MPT não divulgou o nome da empresa e nem dos envolvidos no caso. 

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