Oceanos aquecidos favorecem fenômenos como este independentemente do El Niño
Foto: Earth Observatory (NASA) /Michala Garrison
Oceanos aquecidos favorecem fenômenos como este independentemente do El Niño

O supertufão Sinlaku, formado no Oceano Pacífico, chamou atenção de especialistas em clima por ocorrer em condições incomuns. Águas muito aquecidas formam este tufão, o que pode indicar mudanças no clima global e também acende um alerta para chuvas Sul do Brasil, apesar de não oferecer risco direto ao país.

O fenômeno ocorre em um contexto de oceanos mais quentes, condição que também favorece a formação do El Niño. Este cenário indica um planeta aquecido, o que, por sua vez, pode gerar um volume maior de chuvas no Rio Grande do Sul.

O Supertufão já registrou ventos de até 306 km/h nesta segunda-feira (13), segundo o (JTWC) Joint Typhoon Warning Center, órgão climático da Marinha dos Estados Unidos. Ele é impulsionado por águas excepcionalmente quentes no oceano e atingiu força de nível 5 (máxima) em pouco mais de um dia.

Apesar da distância para o Brasil, as condições que permitem o desenvolvimento deste evento sugerem que o El Niño esperado para os próximos meses possa ter potencial para impactar o clima do país. De acordo com Francisco Aquino, climatologista e chefe do departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele possui ventos de 200 km/h nesta quarta-feira (15).


O que o Supertufão pode causar no RS?

Diretamente, nada. No caso do Rio Grande do Sul, de acordo com Francisco, o que se pode concluir é que a formação de um Supertufão como o Sinlaku indica que o Planeta Terra está muito quente, o que também se relaciona com chuvas extremas

Isso leva a gente a ter eventos extremos, o que pode ser eventos de chuva. Com a provável configuração da primavera de 2026 em diante, do El Niño, do planeta muito quente e todo este cenário, é claro que isso tem chance de gerar impactos no Brasil Francisco Aquino, Climatologista e chefe do departamento de Geografia da UFRGS


O professor cita eventos como secas na Amazônia e região central do Brasil, chuvas acima da média no Sul e, por fim, temperaturas acima do esperado.  Ainda, destaca que o desenvolvimento do El Niño está em processo e não tem relação direta com o supertufão.

Os oceanos quentes nesta época do ano é que geram esses eventos e, como nos últimos 5 anos estão muito quentes, com valores recordes, os supertufões ocorrem, com ou sem El Niño Francisco Aquino, Climatologista e chefe do departamento de Geografia da UFRGS

“Os oceanos quentes nesta época do ano é que geram esses eventos e, como nos últimos 5 anos estão muito quentes, com valores recordes, os supertufões ocorrem, com ou sem El Niño”

Relação com chuvas

O Rio Grande do Sul tem uma hidrografia sensível, com rios que desembocam para o Guaíba, que ficou conhecido pelas enchentes de 2024 que inundou inúmeras cidades do estado. Os rios gaúchos respondem rapidamente a períodos de chuva intensa, com possibilidade de inundação e aumento do nível do Guaíba.

Embora não haja relação direta entre o supertufão, a atuação do El Niño e o aquecimento dos oceanos também pode indicar um aumento no volume de chuvas no Sul do Brasil.

O planeta muito quente força eventos extremos. Isso pode favorecer um cenário de eventos extremos, que podem ser ondas de calor, tempestades severas, granizo, chuvas acima da média em várias partes do mundo e, claro, de Norte a Sul do Brasil, isso acontece Francisco Aquino, Climatologista e chefe do departamento de Geografia da UFRGS


O que é um “Supertufão”?

Um supertufão é uma versão mais intensa dos ciclones tropicais que se formam no Pacífico, caracterizado por ventos extremamente fortes e rápida intensificação. No caso do Sinlaku, o fenômeno chamou atenção pela velocidade com que ganhou força, um comportamento que, segundo especialistas, está associado ao aquecimento das águas oceânicas.

De acordo com Francisco Aquino, Climatologista e chefe do departamento de Geografia da UFRGS, o Sinlaku atua na região da Micronésia, flutuando próximo à Costa Leste do Japão, Oeste do Oceano Pacífico, onde deve causar chuvas até o dia 20 de abril.

Para o professor, o evento é um belíssimo caso de maior intensidade de interação entre oceanos e atmosfera, e provavelmente deve gerar impacto na região onde atua.

Em relação à temperatura dos oceanos, Francisco explica que oceanos estão muito quentes pela mudança do clima e, nos últimos 15 dias, a temperatura supera 2024, 2025 (anos com temperaturas altas) e quase bate o recorde já registrado, em 2003.

A mudança do clima, mudança dos oceanos, dá total condição para supertufões entre o Oceano Índico e o oeste do pacifico, exatamente o que observamos com o Sinlaku neste momento Francisco Aquino, Climatologista e chefe do departamento de Geografia da UFRGS


O desenvolvimento do El Niño em processo não tem relação direta nenhuma com o supertufão, os oceanos quentes nesta época do ano geram esses eventos e como nos últimos 5 anos estão muito quentes com valores recordes, os supertufões ocorrem, com ou sem El Niño.

O professor reforça que eventos extremos se relacionam com um planeta muito quente, sejam tempestades severas, queda de granizo, chuvas acima da média em várias parte do mundo. “E claro, de Norte a Sul do Brasil, isso [as chuvas] acontecem”

O nome Sinlaku (frequentemente grafado Sin Laku) refere-se a uma deusa micronésia da natureza e da fruta-pão, especificamente venerada na ilha de Kosrae, nos Estados Federados da Micronésia. O nome foi incluído na lista de tufões pela Micronésia para representar sua cultura.




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