Para Alexande de Moraes, a gota d'água que precipitou a decretação da prisão de Bolsonaro foram a convocação da
Rosinei Coutinho / STF
Para Alexande de Moraes, a gota d'água que precipitou a decretação da prisão de Bolsonaro foram a convocação da "vigília" e a violação da tornozeleira eletrônica

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, usaram pelo menos 8 vezes, os aviões executivos de empresas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ou ligadas a ele. As informações foram reveladas pela Folha de São Paulo.

A maioria das aeronaves pertencem à Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio através do fundo Patrimonial Blue. A empresa também oferece opção para realizar táxi aéreo. 

Uma única exceção é um voo do ministro e a sua esposa em agosto de 2025 pelo Falcon 2000 da Dassault prefixo PS-FSW, que não tem autorização para atuar como táxi aéreo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é um dos sócios da aeronave. Atualmente, Zettel está preso.

De acordo com a reportagem, para se chegar a informação, foram realizados cruzamentos de dados de três formas:

  • Pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a partir de nomes de pessoas que embarcaram no terminal executivo do Aeroporto de Brasília;
  • Pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, veiculado ao Comando da Aeronáutica com os registros dos voos que decolam do mesmo local
  • Pelo contato com donos das aeronaves no Registro Aeronáutico Brasileiro, mantido pela Anac.

Os voos teriam acontecido, de acordo com apuração da Folha, entre maio e outubro de 2025, tendo a cronologia registrada da seguinte forma:

  • 16 de maio de 2025: primeiro voo identificado. Moraes e Viviane foram os únicos passageiros a embarcar no terminal executivo às 9h30;
  • 22 de maio: Moraes embarcou sem a esposa às 19h no mesmo avião, indicam os documentos. O voo decolou às 19h33, para o aeroporto de Catarina, em São Paulo, que recebe exclusivamente jatos executivos.
  • 29 de maio: o ministro e sua esposa chegaram ao terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 19h30 com outros cinco passageiros. O único voo para São Paulo feito depois desse horário foi o de prefixo PT-PVH, também da Prime Aviation.



  • 9 de julho: Moraes embarcou às 22h, no mesmo horário que a chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e um terceiro passageiro que decolaram em uma aeronave do governo para Goiânia às 22h25. O voo seguinte foi o da aeronave prefixo PP-NLR, da Prime Aviation,realizado às 22h34, para o Aeroporto de Catarina, em São Paulo.
  • 1º de agosto: Moraes, esposa e um terceiro passageiro embarcaram às 12h40, no avião prefixo PR-SAD, um Embraer 505 operado pela Prime
  • 7 de agosto: ambos estiveram em um único voo para São Paulo, às 19h, pelo PS-FSW. O Falcon 2000 está registrado em nome da empresa SPE FSW, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre os sócios.
  • 20 de agosto: Alexandre e Viviane foram os únicos passageiros às 19h30, no avião PT-PVH, operado pela Prime Aviation, que decolou na sequência para Congonhas.
  • 16 de outubro: avião da Prime Aviation (PP-BIO) decolou às 19h26 para o aeroporto de Catarina. Foi o último voo de Moraes e Viviane em uma aeronave operada por uma empresa de Vorcaro.

Ao iG, o gabinete do ministro  Alexandre de Moraes disse que jamais viajou em aeronaves ligadas aos investigados. 

Nota do gabinete do ministro Alexandre de Moraes

“As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece.”

O iG também fez contato com o escritório de advocacia Barci de Moraes, o qual a esposa de Alexandre de Moraes representa.

Nota do escritório Barci de Moraes:

O escritório Barci de Moraes (de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF) afirma que contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation.

Em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel. Além disso, todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais.

A contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos.

O escritório afirma ainda que nenhum de seus advogados conhece Fabiano Zettel, com quem jamais tiveram qualquer espécie de contato. Além disso, nenhum integrante do escritório jamais viajou em aviões de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel.

Os dados que apontariam viagens de integrantes do escritório não trazem qualquer informação específica sobre os voos, fazendo ilações com base em suposta presença na base aérea.

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