Donald Trump
Divulgação/Casa Branca
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Os Estados Unidos enviaram ao Irã um plano com 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo dois funcionários envolvidos nas negociações ouvidos pelo The New York Times. A proposta foi repassada por meio do Paquistão, que atua como intermediário entre os dois países.

O jornal não teve acesso ao documento, mas as autoridades afirmaram que o plano trata do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos e de rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz.

Ainda não está claro se o Irã recebeu formalmente a proposta em todos os níveis do governo nem se aceitará usá-la como base para negociação. Também não há indicação de que Israel, aliado direto dos Estados Unidos na ofensiva, concorde com os termos apresentados.

A iniciativa mostra uma mudança de foco em Washington. Enquanto mantém ataques em curso, o govero americano tenta abrir um canal diplomático para reduzir o impacto econômico e político da guerra.

Plano mira energia e pressão militar continua

Um dos pontos centrais da proposta envolve o Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte relevante do petróleo e gás natural do mundo. Desde o início da guerra, o Irã tem restringido a circulação de navios ocidentais na região, pressionando o mercado global de energia.

Porta aviões da Marinha dos EUA transita pelo Estreito de Ormuz
Divulgação Departamento de Defesa dos EUA
Porta aviões da Marinha dos EUA transita pelo Estreito de Ormuz

Ao mesmo tempo, os combates continuam. Estados Unidos e Israel seguem atacando instalações militares iranianas, incluindo locais ligados ao programa nuclear e à produção de mísseis.

Teerã, por sua vez, mantém ofensivas com mísseis contra Israel e países da região. O país ainda possui cerca de 440 quilos de urânio altamente enriquecido, segundo as autoridades citadas.

Apesar da tentativa de negociação, a Casa Branca sinalizou que não pretende interromper a operação militar no curto prazo. Em nota ao The New York Times, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que os ataques continuam enquanto a diplomacia é explorada.

As conversas têm ocorrido de forma indireta. O chefe do Exército do Paquistão, marechal Syed Asim Munir, passou a atuar como principal intermediário entre Washington e Teerã.

Segundo autoridadess, ele mantém contato com lideranças iranianas e chegou a sugerir que o Paquistão sedie negociações formais entre os dois países. Egito e Turquia também têm incentivado a abertura de diálogo.

O governo paquistanês afirmou publicamente que está disposto a receber as partes para discutir uma solução. Ainda assim, não há confirmação de que encontros diretos estejam agendados.

Do lado iraniano, há obstáculos adicionais. Autoridades enfrentam dificuldades de comunicação interna e evitam deslocamentos por receio de novos ataques israelenses.

Guerra entra na quarta semana e segue sem desfecho claro

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de bombardeios contra alvos militares e nucleares do Irã. A ofensiva incluiu lançadores de mísseis, centros de comando e instalações estratégicas.

Irã lança míssel em prédio de Israel
Reprodução/redes sociais
Irã lança míssel em prédio de Israel

Logo no início da guerra, um ataque israelense atingiu um complexo da liderança iraniana em Teerã e matou o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão. A sucessão no comando ainda não está totalmente clara.

Desde então, o confronto se expandiu. O  Irã passou a responder com ataques diretos, enquanto grupos aliados, como o Hezbollah, abriram novas frentes, ampliando o alcance da guerra.

Mesmo com a proposta americana, não há sinal concreto de cessar-fogo. Autoridades israelenses indicam que a ofensiva pode durar semanas, enquanto o Irã mantém resistência e nega que haja negociação formal em andamento.

A disposição dos Estados Unidos em apresentar um plano sugere uma tentativa de conter o conflito sem avançar, ao menos por agora, para uma mudança de regime em Teerã, o que vinha sendo cogitado no início da guerra.

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