O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos
Reprodução/redes sociais
O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta manhã de segunda-feira (23) que adiou por cinco dias ataques militares contra alvos energéticos no Irã, após o que classificou como avanços em negociações entre os dois países. A decisão é a primeira pausa concreta na escalada do conflito iniciado no fim de fevereiro.

Segundo Trump, as conversas ocorreram nos últimos dois dias e devem continuar ao longo da semana. O adiamento dos bombardeios foi condicionado ao progresso das negociações, indicando uma tentativa de abertura para um acordo mais amplo.

Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio escreveu o presidente na rede Truth Social

Na mesma publicação, Trump afirmou que determinou ao Departamento de Guerra a suspensão temporária dos ataques:

“I nstruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias”.

A Casa Branca não detalhou quem participa das negociações nem se há mediação internacional envolvida.

Contexto da guerra

Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro. O ataque atingiu instalações militares e estruturas consideradas estratégicas pelo regime iraniano. Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em outras cidades importantes para o Regime Aiatolá.

O ataque matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A confirmação da morte foi divulgada, horas depois dos primeiros ataques, pela imprensa estatal iraniana. Os ataques e a perda do principal líder político e religioso do Irã provocou reação imediata do governo.  Mojtaba Khamenei, filho de Ali, assumiu o posto.

O Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio. Foram disparados mísseis e drones contra bases militares e infraestruturas estratégicas em diferentes países do Oriente Médio.

Porta aviões da Marinha dos EUA transita pelo Estreito de Ormuz
Divulgação Departamento de Defesa dos EUA
Porta aviões da Marinha dos EUA transita pelo Estreito de Ormuz

Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nos dias seguintes, o fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas usadas para exportação de petróleo no mundo.

No estreito passam cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta. Autoridades iranianas afirmaram que embarcações que tentassem atravessar a área poderiam ser atacadas.

Para autorizar a travessia pelo estreito, o Irã colocou como condição da passagem à retirada da embaixada dos Estados Unidos do país de origem da embarcação e vice-versa.

Os Estados Unidos negam que a rota tenha sido completamente bloqueada. Porém, desde então, incidentes envolvendo navios comerciais passaram a ser registrados no entorno da passagem.

Nas últimas horas, o conflito ganhou novos contornos. Israel voltou a atingir a capital iraniana com uma sequência de explosões relatadas pela imprensa local, enquanto abriu outra frente ao intensificar bombardeios no sul do Líbano, com alvos ligados ao Hezbollah.

Do lado iraniano, a resposta se mantém ativa e mais ampla. Dois mísseis foram lançados em direção à Arábia Saudita, um deles foi interceptado, e o outro caiu em uma área desabitada. Desde o início da guerra, segundo Israel, já foram mais de 400 projéteis disparados contra o país.

A tensão também avançou para o campo econômico e marítimo. Após ameaçar destruir instalações de energia ligadas a aliados dos Estados Unidos, a Guarda Revolucionária voltou a mencionar o fechamento total do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.

Agora, o risco se estende ao próprio Golfo Pérsico. O Conselho de Defesa do Irã indicou que pode usar minas navais caso haja uma ofensiva terrestre.

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