
Em protesto contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei, trabalhadores da Argentina aderem a uma paralisação geral de 24 horas nesta quinta-feira (19). A mobilização foi proposta por sindicatos de diferentes categorias e atinge milhões de cidadãos. A proposta em questão será discutida e colocada em votação a partir das 14h na Câmara dos Deputados.
A greve atinge os setores de transportes como trens, metrôs e voos, assim como taxistas e algumas linhas de ônibus. Funcionários públicos, bancários, e tantos outros setores também participam da paralisação, segundo informações do La Nación.
A Aerolíneas Argentinas informou que 255 voos foram cancelados, afetando mais de 31 mil passageiros. A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país. A estimativa é que o impacto econômico chegue a cerca de US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões na cotação atual).
Governo promete rigor e impõe regras à imprensa
O Ministério da Segurança anunciou que adotará medidas firmes para garantir a ordem durante a greve. Em comunicado, orientou jornalistas a evitarem áreas de possível confronto com as forças de segurança e determinou que a cobertura seja feita a partir de uma “zona exclusiva” em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento.
O governo também afirmou que responderá a eventuais episódios de violência. A postura sinaliza uma estratégia de contenção mais dura diante da mobilização sindical, que já é a quarta paralisação nacional contra a gestão Milei.
Reforma trabalhista divide Congresso e sociedade
A proposta de reforma já obteve aprovação parcial no Senado, após o governo negociar mudanças para assegurar os 37 votos necessários. Com apenas 20 senadores próprios, o Executivo precisou ceder em alguns pontos para conquistar apoio da oposição.
Agora, o texto será analisado pela Câmara dos Deputados. A base governista calcula reunir ao menos 129 parlamentares para garantir o quórum da sessão e aposta em repetir o placar obtido na aprovação do Orçamento de 2026, que contou com 132 votos favoráveis, conforme noticiado pelo jornal argentino Clarín.
Caso os deputados promovam alterações, o projeto retornará ao Senado para nova apreciação dentro do prazo regimental.
Disputa sobre direitos trabalhistas e cenário econômico
Para o presidente Milei, a reforma é peça-chave para atrair investimentos estrangeiros, elevar a produtividade e estimular a geração de empregos em um país onde cerca de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.
Entre as principais mudanças propostas estão a redução das indenizações por demissão, a limitação do direito de greve e a possibilidade de jornadas de até 12 horas — pontos duramente criticados pelos sindicatos.
Cristian Jerónimo, dirigente da CGT, classificou o projeto como “regressivo” e acusou o governo de priorizar a retirada de direitos históricos dos trabalhadores.
A mobilização ocorre em meio a um cenário de desaceleração industrial. Segundo fontes sindicais, mais de 21 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, resultando na perda de cerca de 300 mil empregos. Embora o governo tenha conseguido avanços no controle da inflação e na estabilização fiscal, enfrenta críticas devido ao desemprego persistente, salários estagnados e crescimento econômico limitado.
Com cerca de 40% dos 13 milhões de trabalhadores formais sindicalizados — muitos deles historicamente ligados ao peronismo —, o movimento sindical argentino mantém forte influência política e demonstra capacidade de mobilização em momentos decisivos para a agenda econômica do país.