Mina de Fábrica, em Ouro Preto
Divulgação/Ministério Público de Minas Gerais
Mina de Fábrica, em Ouro Preto

O Ministério Público (MP) de Minas Gerais entrou com uma nova ofensiva judicial contra a Vale S.A., ao pedir o bloqueio cautelar de R$ 846,6 milhões da mineradora por causa do rompimento de uma estrutura na Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG).

A medida, protocolada nesta quinta-feira (05), é uma continuação das investigações abertas após o episódio ocorrido em 25 de janeiro de 2026.

A ação civil pública foi apresentada pelo MP em conjunto com o Governo. 

O pedido inclui, além do bloqueio financeiro, a paralisação preventiva das atividades no Complexo Minerário de Fábrica e a adoção imediata de medidas de contenção e mitigação ambiental.

Rompimento alagou área de Ouro Preto

O colapso ocorreu na chamada Cava Área 18 e provocou o extravasamento de um grande volume de água e sedimentos.

Mina de Fábrica, em Ouro Preto
Divulgação/Ministério Público de Minas Gerais
Mina de Fábrica, em Ouro Preto

O material atingiu propriedades vizinhas e cursos d’água da região, como o córrego Água Santa e o Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba.

Embora não haja registro de vítimas, os impactos ambientais têm alcance regional, segundo os órgãos de controle.

As investigações técnicas conduzidas pelo MP apontam que o rompimento não foi causado apenas pelas chuvas intensas do período.

Relatórios preliminares indicam falhas no sistema de drenagem e no manejo hídrico da mina, fatores que teriam contribuído diretamente para a perda de estabilidade da estrutura.

Mina de Fábrica, em Ouro Preto
Divulgação/Ministério Público de Minas Gerais
Mina de Fábrica, em Ouro Preto

Outro ponto central da ação é o tempo de resposta da empresa. De acordo com os investigadores, a Vale demorou a comunicar oficialmente o ocorrido às autoridades ambientais e à Defesa Civil.

A legislação prevê notificação rápida em casos de acidentes ambientais, justamente para reduzir riscos e permitir resposta emergencial coordenada.

Na avaliação do MP, esse atraso dificultou a atuação imediata dos órgãos públicos.

Valor pedido e próximos passos

O bloqueio de R$ 846,6 milhões solicitado à Justiça tem dois objetivos principais. Cerca de R$ 282,2 milhões correspondem aos danos materiais já estimados pelas equipes técnicas.

O restante do valor busca garantir recursos para a reparação de danos morais coletivos e para ações emergenciais de recuperação ambiental.

A ação também menciona o risco de agravamento da situação durante o período chuvoso, argumento usado para justificar a tutela de urgência e a paralisação preventiva das operações na área afetada. 

O iG entrou em contato com a Vale para que a empresa se posicione sobre o pedido de bloqueio e aguarda retorno. 

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