Presa na Rússia, Brittney Griner se declara culpada por transporte de drogas: 'Eu não queria infringir a lei'
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Presa na Rússia, Brittney Griner se declara culpada por transporte de drogas: 'Eu não queria infringir a lei'

A jogadora de basquete americana Brittney Griner, de 31 anos, detida desde fevereiro na Rússia, foi condenada a nove anos de prisão por tráfico de drogas nesta quinta-feira. Após o anúncio, o presidente americano, Joe Biden, classificou a sentença como "inaceitável" e a defesa confirmou que irá recorrer da decisão.

Campeã olímpica, Griner foi detida no aeroporto de Moscou após autoridades encontrarem óleo de haxixe, um derivado de maconha, dentro de sua bagagem. Ela joga pelo Phoenix Mercury, da Associação Nacional de Basquetebol Feminino (WNBA), mas durante o intervalo da temporada, atuava no UMMC Ekaterinburg, da Rússia.

A situação da jogadora motivou protestos nos EUA, especialmente em Phoenix, onde o consumo recreativo de maconha é regulamentando desde meados de 2020. A maconha é ilegal na Rússia para fins medicinais e recreativos.

O caso também se tornou uma questão diplomática. Os EUA pediram à Rússia que liberte a jogadora de basquete e o ex-fuzileiro naval americano Paul Whelan, oferecendo em troca a libertação do traficante de armas condenado Viktor Bout.

Ex-integrante da Força Aérea da Rússia, Bout, hoje com 53 anos e conhecido como o "Mercador da Morte", foi condenado pelos EUA por traficar armas desde 1990 para ditadores e áreas de conflito na África, América do Sul e Oriente Médio.

Após o anúncio, a equipe de defesa da atleta chamou o veredicto de "absolutamente irracional" e disse que entrará com um recurso. Segundo os advogados responsáveis pelo caso, o tribunal “ignorou completamente todas as evidências da defesa e, mais importante, a confissão de culpa”.

"A Rússia está prendendo Brittney por um erro. Isso é inaceitável, e peço à Rússia que a libere imediatamente para que possa estar com sua mulher, seus parentes queridos, amigos e companheiras de equipe", afirmou Biden em comunicado.

Durante uma das audiências iniciais, Griner se declarou culpada, mas insistiu que não pretendia infringir a lei russa. Nesta quinta-feira, a jogadora falou sobre sua criação em Houston, e os valores que seus pais lhe incutiram, incluindo “arcar com suas responsabilidades”.

"É por isso que me declarei culpada de minhas acusações, entendo tudo o que foi dito contra mim nas acusações, mas não tentei violar a lei russa", insistiu.

"Quero que o tribunal entenda que foi um erro honesto que cometi enquanto estava estressada tentando me recuperar pós-Covid e apenas tentando voltar ao meu time".

Griner chegou a um aeroporto de Moscou em 17 de fevereiro, a caminho da cidade russa de Yekaterinburg, perto dos Montes Urais, onde jogava por um time local durante a entressafra. Funcionários da alfândega verificaram sua bagagem, e encontraram dois cartuchos de vape contendo menos de um grama de óleo de haxixe.

As negociações entre EUA e Rússia estão paradas desde junho, e Moscou parece relutante em concordar com um acordo que considera desigual, de acordo com fontes que pediram para não serem identificadas. Tim Kaine, senador do estado da Virginia, acusou o presidente russo Vladimir Putin de usar a jogadora como "moeda de troca" em meio a crise entre Moscou e Washington, agravada pela guerra na Ucrânia.

No final de junho, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, reiterou que Griner estava "detida injustamente, e deixamos isso claro como uma determinação oficial do governo dos EUA". O presidente americano, Joe Biden, está sob pressão doméstica para garantir em particular a soltura de Griner, mas também não pode ser visto como cedendo terreno a Moscou.

Autoridades russas insistem que as disputas diplomáticas sobre Griner deveriam permanecer a portas fechadas. Dmitri S. Peskov, porta-voz do Kremlin, disse na terça-feira que as negociações sobre uma possível troca de prisioneiros "devem ser discretas".

"A diplomacia do megafone e a troca pública de opiniões não levarão a nenhum resultado", afirmou.

A natureza delicada das negociações mostra como o nível de desconfiança entre as partes só aumentou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro. Os EUA apoiaram fortemente o governo em Kiev com armas e ajuda financeira e Biden chamou o presidente russo Vladimir Putin de “criminoso de guerra” e “ditador assassino”.

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