Fátima Cossolin e Aline Santiago, fundadoras do Empodera
Reprodução: Redes Sociais
Fátima Cossolin e Aline Santiago, fundadoras do Empodera




Por Marina Semensato e Leticia Martins

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizada no ano passado apontou que a participação feminina no mercado de trabalho sofreu um declínio em 2020, ano em que a pandemia despertou.

O percentual de mulheres que estavam trabalhando foi de 45,8% no terceiro trimestre de 2020. Em 2019, o índice registrado era de 53%. Além da queda, o ano da quarentena também trouxe a porcentagem mais baixa desde 1990, de 44,2%.

Apesar do declínio da participação feminina no mercado de trabalho, a realidade foi diferente no ramo do empreendedorismo. De maneira geral, em 2020, foi registrado um disparo na criação de novas empresas no Brasil, com um saldo positivo de 2,3 milhões de aberturas contra 1,44 milhões de encerramentos, de acordo com o Ministério da Economia.

Desse saldo positivo, pode-se considerar a ação feminina como fator favorável: mesmo que as mulheres ainda sejam uma minoria entre os empresários formais (37%), o crescimento da presença delas mostra-se gradativo, com um total de 29% nos últimos seis anos. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do segundo trimestre de 2021, do IBGE.

Diante dessa realidade, iniciativas como o projeto Empodera encontram um campo fértil para incentivar a colaboração entre empresárias, para o crescimento de uma rede de apoio feminino no campo dos negócios.

Empodera

Fundado em março de 2019, o Empodera é uma iniciativa das empresárias Fátima Cossolin e Aline Santiago, que viram uma oportunidade nascer da "necessidade do mercado de fazer networking, entre mulheres, que tinham dificuldades de construir relacionamentos profissionais, por conta das demandas do seu dia a dia".


Ao Portal iG, a idealizadora Aline Santiago afirma que a empresa de empreendedorismo feminino já auxilia mais de 200 empresárias e nasceu da vontade de “fazer um empreendedorismo que funcionasse”, de acordo com as sócias Aline e Fátima.

“Nós queríamos algo que desse certo, que funcionasse. Foi aí que sentamos e estruturamos tudo para que o Empodera fosse também para aquela mulher que fosse mãe, dona de casa, casada e com compromissos”, relata Santiago.  

Além de atuar como um grupo voltado ao networking entre mulheres, o Empodera investe no crescimento pessoal e empoderamento daquelas que se dedicam ao empreendedorismo.

O Empodera, então, auxilia na construção de um lugar de destaque para as mulheres no mundo dos negócios, criando uma rede de apoio e troca de informações para que elas consigam se posicionar no mercado com sucesso.

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“É como uma reunião de negócios onde elas recebem auxílio e aprendizagem. Elas têm que pagar uma mensalidade para participar da rede e trocam contatos”, explica Aline.

Ainda, a criadora do Empodera afirma que empreendedorismo feminino brasileiro tem crescido e a pandemia alavancou a participação feminina no mercado empresarial. 

Um levantamento feito pelas Nações Unidas e por instituições globais mostram que houve um crescimento de 40% de mulheres empreendedoras no Brasil durante a pandemia. Elas também representam 48% de todos os empreendedores do país, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM).

Apesar do crescimento, Aline Santiago acredita que as empresárias que surgiram na pandemia precisam de preparo.

“As empresárias de pandemia estão despreparadas, porque muitas vezes faltam recursos, orientação, então é um marco esse crescimento, mas elas precisam de desenvolvimento e capacitação”.

Além disso, a idealizadora do Empodera afirma que o setor que a empresa mais auxilia no momento é o de serviço e de saúde.

“A maioria hoje ainda são prestadoras de serviço. De todo tipo, da advogada a terapeuta holística. Mas também auxiliamos psicólogas, dentistas, que são da área da saúde”.

Para participar do Empodera, é necessário já ter um estabelecimento no ramo empresarial.

“É preciso que elas tenham um negócio, não importa se for pequeno ou grande, porque como nossa base é o networking, elas precisam passar contatos, então é importante que a mulher já tenha algo para a divulgação”, finaliza Aline Santiago.

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