Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista
Carlos Eduardo Vasconcellos/iG
Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista

Neste domingo (12), manifestações a favor do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acontecem em 17 cidades brasileiras. Promovidos pelos movimentos Movimento Brasil Livre (MBL) e VPR (Vem Pra Rua), os atos reunem manifestantes que vão da centro-direita à centro-esquerda, mas com a ausência do PT e outras legendas de esquerda— que, apesar da pauta comum pelo impeachment do presidente da República, são considerados rivais políticos.

Em São Paulo, a Avenida Paulista é palco do maior dos atos deste domingo. Iniciado às 14h, a manifestação conta com a presença de nomes como Kim Kataguiri, (DEM-SP), Ciro Gomes (PDT), Tabata Amaral (sem partido), Isa Penna (PSOL-SP), Tico Santa Cruz e o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM).

No carro do MBL, o deputado federal Arthur do Val (Patriota-SP), o presidenciável Ciro Gomes (PDT) e o presidente do Novo, João Amoedo, já subiram ao palanque e discursaram brevemente. Eles devem voltar a falar ao longo do ato. Outro que também deve discussar é o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos cotados para assumir uma candidatura de terceira via em 2022.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também deverá se pronunciar na manifestação. Horas antes, Doria voltou a defender a democracia e se disse ao lado "da verdade". 

"Eu estarei presente. Sou brasileiro, democrata, e não importa em que circunstância, estarei sempre ao lado da verdade, ao lado da verdadeira bandeira brasileira e dos valores que nos movem em defesa da democracia”, disse em coletiva de imprensa na sede do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar de SP), que monitora os atos.

O pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, citou as ameaças à democracia feitas pelo presidente Jair Bolsonaro. Gomes ressaltou a importância da união das frentes de oposição para aumentar a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), e viabilizar o impeachment de Bolsonaro. 

"Nós somos diferentes, temos histórias diferentes, temos caminhadas diferentes. Temos um olhar sobre o futuro do Brasil provavelmente muito diferentes. Mas, o que nos reúne, é o que deve reunir toda a nação: a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira(...) Fora, Bolsonaro. Impeachment, já", disse Ciro Gomes. 

Também cotada para ser uma alternativa da terceira via em 2022, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), lembrou dos trabalhos da CPI e afirmou ser necessário o movimento da população para pressionar políticos.

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"Eles querem nos vencer pelo cansaço. Há crimes de responsabilidade, a cpi vai comprovar isso, mas isso não basta para o impeachment do presidente da república, o que é necessário é o povo na rua, a manifestação popular", incentivou a senadora. 

Já o cantor Tico Santa Cruz citou as frases de Bolsonaro ditas nas manifestações de 7 de Setembro. Na época, o presidente afirmou que sairia da presidência "morto, preso ou vencedor". Santa Cruz rebateu: 

"Ele disse que só sai de lá morto, preso ou vencedor. Eu não quero que ele morra, mas também não quero que ele ganhe”.

O vereador de São Paulo, Fernando Holiday (NOVO), também participou dos atos liderados pelo MBL. O parlamentar se disse arrependido de ter apoiado Bolsonaro nas eleições de 2018 e chamou o presidente de 'jumento' e 'corrupto'. 

"Eu votei no Bolsonaro sabendo que ele era um jumento, mas não sabia que ele seria tão corrupto", disse Holiday. 

"A família Bolsonaro é tão pior quanto a família Calheiros e a família Sarney. Ela é tão suja quanto a quadrilha petista que tomou conta do nosso país durante anos", concluiu. 

Mandetta diz que Bolsonaro não ligou para pandemia

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), acusou o presidente Jair Bolsonaro de não se importar com a saúde dos brasileiros durante a pandemia. Segundo Mandetta, ao comunicar sobre a gravidade da doença, Bolsonaro teria desdenhado e dito que "vai morrer quem tem que morrer. 

"Eu levo ao presidente e digo: 'essa doença é grave, essa doença é contagiosa'. Ele olha e diz: 'mas isso só vai morrer quem tem que morrer'", lembra o ex-ministro.

A gestão Bolsonaro tem sido criticada desde o início da pandemia por atraso na compra de vacinas, indicação de remédios ineficazes contra a doença e as falas contrárias e contundentes contra medidas de proteção para evitar o contágio da Covid-19. No último sábado, o país ultrapassou a marca de 580 mil óbitos pela doença. 

Enfrentou o partido e ficou isolada 

A deputada estadual, Isa Penna (PSOL-SP), também marcou presença nas manifestações contra Jair Bolsonaro. Após ter enfrentado o partido e ser criticada por líderanças do PSOL pelo comparecimento ao protesto, a deputada defendeu a costura de união para conseguir a abertura de processo de impeachment. 

"É o momento de furar todas as nossas bolhas e construir uma superbolha, a bolha do impeachment", disse Isa Penna. 

Embora o PSOL apoie as demandas das manifestações, o partido não se aliou ao MBL - um de seus maiores opositores - na organização do movimento. As líderanças psolistas ressaltaram a participação do protesto contra Bolsonaro realizado no último dia 7 de setembro para justificar a não participação nos atos deste domingo. 

Bolsonaro não é o único alvo dos protestos 

Os manifestantes, apesar de concentrarem a maioria das críticas ao atual chefe do Executivo, também gritam palavras de ordem contra o ex-presidente Lula. Militantes do movimento Vem Pra Rua utilizam uma camiseta com os dizeres "nem Lula, nem Bolsonaro” - cena também vista na manifestação do Rio de Janeiro, que ocorreu em Copacabana. Eles trouxeram ao ato dois bonecos infláveis, de Lula e Bolsonaro, e defendem um candidato de terceira via.

*Matéria em atualização

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