Paulo Guedes, ministro da Economia
Edu Andrade/Ascom/ME
Paulo Guedes, ministro da Economia

Após declarações polêmicas contra a China, o grupo de oposição e independentes da CPI da Covid deve insistir na convocação do ministro Paulo Guedes nas discussões da próxima semana. Na mira do grupo dos críticos ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) também está a secretária especial de Assuntos Parlamentares do Palácio do Planalto , Thaís Amaral Moura, e a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, responsável pela área da articulação política. Os requerimentos contam com apoio do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e do relator, Renan Calheiro s (MDB-AL), mas dependem do aval da maioria dos membros para serem aprovados.

Inicialmente, Renan resistia à ideia de convocar Guedes, com quem tem certa proximidade. Agora, no entanto, ele admite a possibilidade. Sem saber que estava sendo gravado, o ministro da Economia disse, na última terça-feira, que os chineses "inventaram" o coronavírus, e que a vacina do país para impedir o avanço da doença é "menos efetiva" do que o imunizante da Pfizer, dos Estados Unidos.

"Estamos nos preparando, dedicados às próximas semanas. Têm muitas sugestões de nomes. Uma delas é o próprio Paulo Guedes, que deu declarações desastrosas. E outra é a Thais Amaral. E vem o Fabio (Wanjgarten), ex-secretário de Comunicação da Presidência. O Fabio vai ser chamado", declarou Renan.

No plano de trabalho apresentado ontem por Renan, o relator manteve trecho que prevê a apuração que envolve a área econômica, citando "ações de preservação de emprego e renda (auxílio emergencial, entre outros)".

Registros eletrônicos de requerimentos apresentados na CPI por senadores aliados do governo indicam que o Planalto produziu o pedido de convocação de cinco especialistas associados à defesa do tratamento precoce ou a críticas ao lockdown. Informações dos arquivos apontam que em sete arquivos protocolados pelos parlamentares Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Mello (PL-SC) constam o nome de Thaís Amaral.

Vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues disse que pretende apresentar requerimentos para ouvir Thaís Amaral, mas considera ainda mais importante a oitiva com a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, responsável pela Secretaria. Além delas, Randolfe tem intenção de convocar Paulo Guedes e o ministro Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), que também cuida da articulação política.

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"Quero convocar a secretária de articulação política, Thaís Amaral, a ministra Flávia, o general Ramos, e o ministro Guedes. Eles estão dentro do escopo dos que podem ser convocados", disse Randolfe.

Para Randolfe, Flávia Arruda foi responsável pelo o que chamou de "lambança", em referência aos requerimentos com a digital do Planalto.

"Talvez seja melhor, ao invés de falar com o mensageiro, falar com quem mandou a mensagem. Diga aí, ministra, por que a senhora acha importante ouvir o 'Zé Cloroquina'. E ela explica. Vamos falar direto com a fonte. Cogito apresentar esses requerimentos na semana que vem", afirmou.

De acordo com relatos, o grupo de independentes e da oposição, apelidado de G7, ficou incomodado com a informação de que o senador Ciro Nogueira, aliado do Planalto, disse que a CPI "não vai dar em nada para Bolsonaro". Por isso, querem marcar posição.

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