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Líderes comunitários da rocinha apontam subnotificação

RIO - Mesmo com a confirmação das primeiras cinco mortes pela Covid-19 , a Rocinha não mudou a rotina na manhã desta quarta-feira. O comércio abriu normalmente e havia aglomeração de pessoas pelas ruas do bairro.

Após uma reunião com agentes de saúde do município, o presidente da União Pró Melhoramentos da Rocinha, Wallace Pereira, vai convocar um encontro no fim da tarde para discutir com os comerciantes que apenas atividades consideradas essenciais, como mercados, hortifrutis e lojas de materiais de construção, sejam mantidas abertas. Wallace criticou a prefeitura, alegando que a maior parte das ações preventivas têm sido adotadas pela própria comunidade.

– Nós colocamos carros de som circulando pela comunidade alertando para evitar aglomerações. Panfletos e material educativo também somos nós que criamos. Também divulgamos mensagens pela rádio comunitária sobre o risco que o vírus está trazendo para a nossa comunidade. Cuprimos nosso papel. Mas o poder público não tem ajudado. No dia 21 de março, pedi em uma reunião na prefeitura para que a Comlurb lavasse e desinfectasse as ruas e vielas da comunidade até para reduzir os riscos de transmissão. Até hoje, não veio ninguém. Também não vi qualquer operação da Secretaria de Ordem Pública (Seop) para reprimir aglomerações, como em outros lugares da cidade – disse Wallace.

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Segundo Wallace, a prefeitura também prometeu instalar tanques para a comunidade lavar as mãos. O serviço ainda não foi instalado.

– Apesar das ações de prevenção estarem atrasadas, nunca é tarde demais. Mas têm que começar – acrescentou Wallace.

O líder comunitário avalia que podem ter subnotificações, já que não há testagem. Moradores com diagnóstico clínico são orientados a permanecer de quarentena em suas casas. Segundo ele, o monitoramento da evolução dos casos suspeitos é feito por troca de mensagens de celular com os agentes comunitários de saúde.

Eles também participam das campanhas de vacinação de idosos na favela e nas abordagens às famílias de idosos na tentativa de convencê-los a ficar nos hotéis oferecidas pela prefeitura até ser seguro retornar. Até o momento, só 25 vagas foram preenchidas.

Procurada, a prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre os casos e ações preventivas na Rocinha. Um técnico da prefeitura, que trabalha no planejamento de contenção da Covid-19, analisa que a expansão de ocorrências seguiu uma lógica.

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– As primeiras notificações ocorreram em regiões de maior poder aquisitvo, como a Barra da Tijuca e bairros da Zona Sul. Muitos contraíram a Covid-19 quando viajavam. Empregadas domésticas e outros prestadores de serviço que atendem a essas regiões moram justamente em comunidades como Rocinha, Vidigal e em Jacarepaguá –contou a fonte.

Morte suspeita

Entre as famílias cujos parentes morreram com suspeita de Covid-19 o clima é de incerteza. O perfil de idade dos óbitos de mulheres no Rio se encaixa no caso da aposentada Luiza Santana do Nascimento, de 70 anos, que morreu na Upa com sintomas da doença, no fim de março. O corpo já foi enterrado no cemitério São João Batista.

– Os médicos informaram que o resultado do primeiro exame foi inconclusivo. Mas depois disso não disseram se haveria possibildiade de novo exame do corpo ou se teriam amostras para novo teste –diz a jornalista e professora Raquel Lobão, nora de Maria Luiza.


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