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Leitos disponíveis é uma das maiores preocupações no momento

O diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, apresentou uma nova projeção sobre o avanço do Covid-19 no estado de São Paulo. Exibido em coletiva de imprensa, o documento expõe cenários possíveis em diferentes situações: com distanciamento social alto, médio e outro cenário sem qualquer distanciamento. 

Ainda de acordo com as projeções - elaboradas em parceria com a Universidade de Brasília - o distanciamento social no estado de São Paulo atualmente é considerado médio, com de cerca de 51,8%. O número preocupa por representar uma queda em relação ao monitoramento anterior, do dia 23 de março, quando 66% dos paulistas priorizavam a permanência em domicílio. O distanciamento considerado ideal para conter a doença é de pelo menos 70%.

No cenário atual, a projeção apresentada para os próximos dias é de 20 a 25 mil casos de infecção por Covid-19 e cerca de 1,3 mil óbitos confirmados até o dia 13 de abril, segunda-feira. Caso a adesão da população às medidas do estado enfraqueça, os números podem se tornar mais pessimistas até o extremo de 150 mil casos da doença no estado. 

A projeção também expõe possibilidades para os próximos 180 dias, nos quais o mínimo de casos esperados para o comportamento atual é de 680 mil pessoas em hospitais e 147 mil casos graves em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) . Caso as medidas adotados não sejam eficazes, o cenário - de movimento social completo - poderia chegar a 1,3 milhão de casos, 277 mil mortes e até 315 mil pacientes graves apenas no estado de São Paulo. 

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A previsão foi feita sobre um modelo matemático lançado pela Imperial College of London e reproduzido em ações de muitos países que enfrentam a doença. 

Apesar da possibilidade pessimista, a secretaria de saúde do estado afirma que a redução do contágio permitiu retardar o pico de internações nos hospitais da cidade de São Paulo, que ocorreria já na primeira semana de abril se nada tivesse sido feito. Conforme projeções, haveria mais doentes por coronavírus do que leitos necessários no SUS de São Paulo, e seria preciso acrescentar 20 mil novas vagas, das quais 6,5 mil de UTI. 

“A evolução da epidemia indica claramente que as medidas tem que ser mantidas, e a adesão da sociedade, reforçada. A constatação é que ainda existe espaço para melhoria. Neste momento crítico da epidemia, a única medida efetiva ao nosso dispor é o distanciamento social ”, reforça o infectologista David Uip, que coordena o centro de contingenciamento da doença em São Paulo.

São Paulo já sente pressão no sistema de saúde 

A secretaria de saúde de São Paulo afirma, em nota, que “o cenário epidemiológico de São Paulo em relação ao coronavírus é, no momento, melhor que em relação a outros países” e reforça que à curva de casos apresentou tendência de achatamento. 

Apesar disso, o governador João Doria e o prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, reforçaram em coletiva de imprensa o apelo para que as pessoas contribuam com o contingenciamento da doença e reforçam que os efeitos no sistema público de saúde já podem ser sentidos.

 “Até amanhã, cerca de 25% do hospital de campanha do Pacaembu já deve estar ocupado. Neste fim de semana, nós sentimos bastante pressão nos hospitais, que já registram um aumento substancial nas demandas”, explicou Covas. O hospital recebe pacientes de baixa complexidade transferidos da rede estadual de saúde. Pessoas com sintomas do Covid-19 não devem buscar atendimento no local. 

De acordo com o prefeito, as ações no momento buscam antecipar o funcionamento de outros leitos disponíveis para, assim,  garantir o atendimento adequado dos pacientes. “Pelo menos metade dos leitos de UTI em São Paulo já estão ocupados”, afirma. 

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