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PF usou bombas de efeito moral para dispersar militantes contrários à prisão do ex-presidente; entre os feridos, três são crianças e um é policial militar

Bombas de efeito moral em manifestações pró-Lula deixa feridos, após a chegada do ex-presidente em Curitiba
Reprodução/Twitter
Bombas de efeito moral em manifestações pró-Lula deixa feridos, após a chegada do ex-presidente em Curitiba

Pelo menos nove pessoas ficaram feridas, na madrugada deste domingo (8), durante as manifestações ocorridas após a chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba. O ex-presidente chegou ao local em um helicóptero da PF para cumprir a pena de 12 anos e um mês à qual foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

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De acordo com as primeiras informações, três dos feridos são crianças. Além disso, um policial militar também se machucou na confusão. Os demais feridos são militantes favoráveis ao ex-presidente, que participavam de manifestações contrárias à prisão.

O tumulto teve início, segundo o comando da Polícia Militar (PM), quando duas explosões ocorreram na manifestação pró-Lula. Logo após tais explosões, a PF lançou as primeiras bombas de efeito moral sobre os manifestantes, que reagiram com revolta antes de se dispersarem. 

Ainda de acordo com o comando PM, todas vítimas sofreram ferimentos leves e foram imediatamente atendidas no local. Três delas tiveram de ser encaminhadas ao Hospital Evangélico e, entre os que foram para o hospital, está uma criança que bateu a cabeça.

Ainda na sede da PF em Curitiba, manifestantes a favor da prisão de Lula se concentraram próximo ao prédio da Superintendência, para comemorar o desfecho do dia. No ato contra Lula, no entanto, não foram registrados confrontos ou tumultos.

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Alguns rojões lançados pelos manifestantes contrários a Lula, porém, caíram no estacionamento da PF – atitude que foi questionada pelos que gritavam contra a prisão do petista.

Ação 'bem-sucedida'

Após as mobilizações favoráveis e contrárias ao ex-presidente, o comandante do 20° Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, que coordenou a operação, considerou a ação policial bem-sucedida.

Questionado sobre o uso de bombas contra manifestantes, Carmo afirmou que essa foi a reação da polícia às explosões causadas pelos militantes. "Eles explodiram duas bombas no chão. E, pelo efeito das explosões, eles avançaram contra o portão da Polícia Federal. Esta, por sua vez, os repeliu”, disse o tenente-coronel.

De acordo com Carmo, após a explosão das bombas da PF, os manifestantes correram para todos os lados, e a PM usou balas de borracha para evitar a aproximação entre os grupos com ideologias diferentes.

“Não houve força excessiva. Os manifestantes jogaram uma primeira bomba e, então, a PF jogou uma bomba em resposta. O choque respondeu”, disse.

No momento da ocorrência, cerca de 400 apoiadores do PT estavam no local. Além da tropa de choque, homens do Batalhão de Trânsito também atuavam na separação dos partidários do ex-presidente Lula e seus opositores.

Perguntado sobre os rojões lançados pelos grupos contra o ex-presidente – que caíram no estacionamento do prédio da PF – o comandante respondeu que não poderia se posicionar porque não viu o material.

Manifestações são vetadas

Os manifestantes negam ter provocado o tumulto. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi a Curitiba acompanhar a apresentação do ex-presidente à PF, foi para a rua e ficou ao lado da militância, a fim de evitar mais violência.

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Aos poucos, após a confusão, apoiadores e opositores a Lula deixaram o local. Ainda na noite de sábado, uma ordem judicial foi expedida vetando manifestações nas imediações da Superintendência da PF de Curitiba.

* Com informações da Agência Brasil.