Relatório final não deve trazer novidades, diz parente de vítima do voo 447

Familiares das vítimas já foram recebidas pelas autoridades francesas esta manhã

iG São Paulo (Mário Camera, especial de Paris) |

As causas do acidente com o voo AF 447 serão finalmente divulgadas nesta quinta-feira . Após três anos da tragédia que matou as 228 pessoas a bordo do Airbus A-330 da companhia Air France, que fazia a rota Rio-Paris, o Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) apresentará seu relatório final, apontando o que levou à queda da aeronave.

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Antes da imprensa, foi a vez das famílias de vítimas de acidentes, que foram recebidas por responsáveis do BEA na manhã desta quinta, no aeroporto de Bourget, periferia da capital francesa.

Maarten Van Sluyer, membro da Associação de Famílias de Vítimas do Voo AF 477, veio a Paris para acompanhar a divulgação das causas do acidente. Em entrevista ao iG antes da reunião com os responsáveis do BEA, ele disse não acreditar que o texto final trará novidades em relação aos relatórios anteriores.

“Acho que a diferença será que esse relatório será mais detalhado, mas não vai mudar em nada as causas apontadas anteriormente”, disse Maarten.

Medidas errôneas

Relatório anterior do BEA indicou que o congelamento das sondas pitot da aeronave contribuiu para a queda, mas os pilotos poderiam ter salvo a situação depois que o avião perdeu os dados de velocidade.

Entenda como funcionam os sensores Pitot:

Fator humano

No entanto, o escritório francês que investiga o caso ainda não conseguiu responder um dos grandes mistérios que envolvem o acidente do AF 447: o que teria levado o co-piloto a forçar o avião até o limite de sua sustentação?

Manter o bico do aparelho levantado em situações como a enfrentada pelo AF 447 é um erro básico, que todo piloto aprende a evitar nos primeiros dias de sua formação. Além disso, o alarme de “stall”, que indica a perda de sustentação e altitude da aeronave, disparou dezenas de vezes nos quase quatro minutos que transcorreram entre o congelamento dos Pitot e o impacto no oceano.

Para tentar entender porque o co-piloto não adotou a medida correta (picar o avião, ou seja, inclinar o bico para baixo para ganhar velocidade e sustentação), o BEA criou um “grupo de fator humano”. Formado por especialistas de diversas áreas, esse grupo divulgará suas conclusões na tarde desta quinta-feira, dentro do relatório final do órgão francês.

Veja abaixo como foram os últimos momentos que antecederam a queda:

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