Em Brasília, Obama se divide entre Dilma e Líbia

Primeiro dia da visita do presidente americano foi marcado pelo início dos ataques ao país do líder Muamar Kadafi

Luísa Pécora e Severino Motta, iG Brasília |

O primeiro dia da visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi marcado pelo início de uma ação militar americana na Líbia, que busca impedir que as forças do líder Líbio, Muamar Kadafi, mantenham ataques contra rebeldes. Sem deixar transparecer tensão, o líder americano intercalou conversas com autoridades brasileiras com telefonemas à sua secretária de Estado, Hillary Clinton, chefes militares e outras autoridades americanas.

A ordem para os ataques na Líbia foi dada logo após o primeiro compromisso de Obama no Brasil: o encontro com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Durante a conversa entre os chefes de Estado, um assessor do líder americano lhe entregou um bilhete. Após a reunião, e antes da declaração conjunta à imprensa, Obama, por telefone, liberou seus caças para o ataque.

Assessores do presidente disseram que ele participou ativamente das discussões durante o dia. Ele teria falado com o conselho de segurança nacional, Tom Donilon, e com o príncipe dos Emirados Árabes, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, um dos principais defensores da imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia para impedir ataques de Kadafi a opositores. Ele também consultou diversas autoridades da Casa Branca.

Enquanto a operação militar – realizada em conjunto com França e Reino Unido – tinha início, Obama participava do almoço oferecido por Dilma no Itamaraty. Antes de se sentar à mesa, trocou algumas palavras ao pé do ouvido com um dos integrantes de sua comitiva e mal tocou no vinho após o brinde.

Obama deixou o Itamaraty e seguiu para um centro de convenções em Brasília, onde era realizado o Fórum Empresarial Brasil-Estados Unidos.

Após um pronunciamento a empresários, o presidente reuniu os jornalistas americanos que acompanhavam a visita em uma sala e comunicou oficialmente o início dos ataques.

Apesar da ofensiva na Líbia, Obama seguiu seu cronograma e se encontrou com Dilma no Palácio da Alvorada. Depois, embarcou em direção ao Rio de Janeiro, onde chegou por volta das 20h20. Se a agenda for confirmada, Obama segue na segunda-feira para o Chile e, na terça, para El Salvador.

O dia de Obama

Obama desembarcou na Base Aérea de Brasília às 7h42, depois de o avião Air Force One ter pousado às 7h31. Após o desembarque, o líder e sua comitiva seguiram para o hotel Golden Tulip, onde receberam camisetas e chinelos de dedo de presentes.

Logo após a chegada, representantes do governo brasileiro e americano assinaram os dez acordos e tratados de cooperação anunciados posteriormente na declaração oficial no Planalto. Entre os documentos há memorandos para o Comércio e para parcerias em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

Obama foi recebido por Dilma Rousseff em uma cerimônia que começou às 10h28. O líder americano passou as tropas em revista antes de subir a rampa do Planalto, onde encontrou Dilma e o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

A primeira-dama Michelle Obama já estava no topo da rampa, onde chegou separadamente do marido. Após execução dos hinos americano e brasileiro, Obama entrou no palácio, onde posou para fotos ao lado de Dilma, cumprimentou ministros e autoridades e viu uma exposição de artistas brasileiros.

Durante a manhã, Obama e Dilma participaram de uma reunião avançada para acertar os detalhes dos tratados e acordos entre EUA e Brasil. No total, são oito atos e dois acordos relativos a parcerias nas áreas comercial, econômica, social, cultura e ciência e tecnologia.

Michelle não ficou para a reunião no Planalto para poder participar de um evento cultural com jovens brasileiros no restaurante Oca da Tribo, no Setor Clube Esportivo Sul de Brasília. Ela também não acompanhou o pronunciamento no Fórum, mas esteve presente nos demais eventos da agenda.

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