Violência deixa mortos em áreas de fronteira da Síria

Disparos das forças de segurança nas divisas com a Turquia e o Líbano deixam ao menos três mortos, incluindo um cinegrafista

iG São Paulo |

AP
Manifestantes protestam contra o governo sírio em Idlib, perto da fronteira com a Turquia (06/04)
Violentos confrontos foram registrados nesta segunda-feira nas regiões que a Síria faz fronteira com a Turquia e com o Líbano. Segundo o governo turco, forças de segurança atiraram em seu território, deixando dois mortos e três feridos, enquanto no Líbano um cinegrafista da rede de TV Al-Jadded foi morto por tiros que teriam sido disparados da Síria.

A violência acontece enquanto se aproxima o prazo dado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Liga Árabe para um cessar-fogo , que deve começar no dia 10 de abril e levar no máximo 48 horas para ser implementado.

Leia também: Síria exige "garantias" da oposição para cessar-fogo

De acordo com autoridades libanesas, o cinegrafista Ali Shaaban fazia imagens na região de Wadi Khlaed, no norte do Líbano, quando foi atingido pelos disparos. Ele morreu a caminho do hospital. Não foram dados mais detalhes sobre sua morte.

As informações também são confusas sobre os confrontos na fronteira com a Turquia. Uma autoridade do governo turco disse que as forças de segurança sírias abriram fogo contra opositores e continuaram atirando mesmo depois de eles cruzarem a fronteira para fugir, no primeiro incidente deste tipo desde que a Turquia passou a abrigar refugiados da Síria.

De acordo com a autoridade, os três feridos – dois sírios e um turco – foram atingidos por tiros quando tentavam ajudar dois civis não identificados mortos pelas tropas da Síria.

A Turquia abriga cerca de 24 mil sírios que fugiram dos conflitos no país, incluindo desertores do Exército. Na terça-feira, o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, visitará refugiados em território turco antes de partir para o Irã.

Annan foi o negociador do plano de paz aceito pelo governo sírio que prevê o cessar-fogo.

Mas as dúvidas quanto a implementação da trégua cresceram no domingo, quando o Ministério das Relações Exteriores da Síria exigiu " garantias por escrito " da oposição antes de retirar suas tropas de zonas de conflito no país. Segundo o ministério, Annan ainda não havia ainda apresentado "garantias por escrito sobre a aceitação pelos grupos terroristas da interrupção de toda a violência".

Apesar da proximidade do possível cessar-fogo, a violência no país parece estar se intensificando nos últimos dias. No sábado, ao menos 160 pessoas teriam sido mortas, segundo grupos de ativistas da oposição síria.

Vídeos postados na internet pelos grupos opositores mostram corpos empilhados em um subúrbio da cidade de Hama. As novas ofensivas do governo teriam ocorrido também nas cidades de Idlib e Aleppo, no norte do país.

Com AP e BBC

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