Turquia pede que cidadãos abandonem Síria com urgência

Segundo chancelaria, há 'sérios riscos de segurança'; premiê considera estabelecer 'zona tampão' na fronteira por causa de refugiados

iG São Paulo |

A Turquia conclamou nesta sexta-feira seus cidadãos a deixar a Síria, dizendo que a situação no país vizinho leva a "sérios riscos de segurança". Em um comunicado, o Ministério de Relações Exteriores anunciou que alguns serviços consulares serão suspensos em 22 de março.

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AP
Refugiado sírio caminha em direção à fronteira da Turquia carregando bens em sacos (15/3)
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"Os acontecimentos na Síria representam sérios riscos de segurança para nossos cidadãos. Aconselhamos com veemência que retornem à Turquia", afirma o comunicado oficial. Dois jornalistas turcos estão atualmente desaparecidos na Síria, e há informações de que estão nas mãos de forças de segurança e foram feridos.

O apelo foi feito no mesmo dia em que o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que considera estabelecer uma "zona tampão" ou de "segurança" ao longo de sua fronteira com a Síria, onde o número de refugiados aumentou drasticamente em dias recentes. Na quinta-feira, a Turquia afirmou que 1 mil cruzam a fronteira diariamente, sendo que o total é de quase 15 mil até agora. A expectativa é de que o número continue aumentando.

As novas informações surgiram um dia depois de o levante na Síria, que deixou mais de 8 mil mortos de acordo com a ONU, completar um ano . No dia em que o emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan , deve apresentar suas conclusões ao Conselho de Segurança na ONU sobre sua missão ao país na semana passada, ativistas antigoverno convocaram protestos em massa em todo o país para reivindicar uma "imediata intervenção militar".

Em seu comunicado, a Chancelaria disse que os serviços consulares em sua embaixada em Damasco seriam suspenso no fim do expediente da próxima quinta-feira, mas que o consulado em Aleppo, a segunda maior cidade do país, continuaria aberto. Erdogan indicou que pode chamar de volta seu embaixador em Damasco depois que todos os cidadãos turcos no país vizinho voltarem para casa.

Na quinta-feira à noite, a agência saudita SPA informou que mais quatro Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) decidiram fechar suas embaixadas na Síria por causa da violência. Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait e Catar seguiram os passos de Barein e Arábia Saudita, os outros dois integrantes do grupo de seis nações, que anunciaram o fechamento de suas embaixadas na Síria no início da semana.

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Nas últimas semanas, as manifestações contra o regime de Assad não conseguiram reunir grandes multidões em consequência dos controles militares. O Exército retomou várias cidades que estavam sob controle dos rebeldes após intensos bombardeios.

AFP
Sírios seguram bandeiras nacionais e retratos do presidente Bashar al-Assad em manifestação favorável ao regime no dia que marca um ano do levante da Síria
O regime, que alega ter o apoio do povo na luta contra "grupos terroristas", aos quais atribui a violência, conseguiu uma demonstração de força na quinta-feira ao reunir dezenas de milhares de manifestantes a favor do presidente Assad.

Também nesta sexta-feira, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou que a Rússia utiliza seus contatos com o regime Assad para conseguir que Damasco coopere plenamente com Annan. "Os outros membros do Conselho de Segurança também devem fazer seu trabalho e pedir à oposição que não provoque uma escalada da situação", completou.

Os membros permanentes do Conselho de Segurança não conseguiram chegar a um acordo sobre uma resolução de condenação da repressão na Síria. Dois projetos de texto foram vetados por Rússia e China, aliados de Damasco.

*Com BBC, AFP e Reuters

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