Tropas sírias mataram centenas de crianças, diz relatório da ONU

Segundo estudo divulgado por diplomata brasileiro, ao menos 256 crianças foram mortas desde o início das revoltas contra o governo

iG São Paulo |

Tropas sírias mataram centenas de crianças e cometeram outros "crimes contra a humanidade" desde o início dos protestos contra o governo de Bashar al-Assad em março, informou um relatório feito pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e divulgado nesta segunda-feira em Genebra.

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AP
Brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro divulga relatório sobre a Síria em Genebra, Suíça

De acordo com o relatório de 39 páginas, realizado por um painel de especialistas independentes, pelo menos 256 crianças foram mortas pelas forças do governo, e algumas delas foram torturadas até a morte.

O documento, elaborado por um grupo liderado pelo professor brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro , diz que homens e meninos foram agredidos sexualmente em prisões e uma menina de dois anos foi morta com um tiro, para evitar que ela crescesse e se tornasse uma manifestante. "A tortura foi aplicada igualmente em adultos e crianças", informou o relatório.

Entre os detalhes do estudo, o mais completo sobre violações de direitos humanos no país, estavam "numerosos testemunhos que indicavam que meninos eram sujeitos a torturas sexuais em prisões em frente a homens adultos".

O relatório afirma que os agentes de segurança usaram força excessiva e "atiraram indiscriminadamente contra manifestantes desarmados" enquanto fracoatiradores alvejaram outros na cabeça e no tronco. De acordo com o painel, as forças de segurança sírias cooperando com milícias tiveram ordens de "atirar para matar".

"Esses crimes incluíram assassinatos, tortura, estupro, e outras formas de violência sexual", disse o presidente do grupo, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. "Nós temos evidências sólidas."

O relatório reivindica que a Síria puna os responsáveis por esses crimes. Os membros da comissão não puderam entrar na Síria , mas, segundo o relatório, eles entrevistaram 223 vítimas e testemunhas, incluindo desertores do Exército e das forças de segurança sírias desde setembro até meados de novembro.

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O Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou Paulo Sérgio Pinheiro, duas especialistas turcas de direitos das mulheres, Yakin Ertuk e Karen Abu Zayd, uma cidadã americana e ex-chefe da agência da ONU que ajuda refugiados palestinos para liderar a investigação internacional sobre abusos de direitos humanos na Síria.

Entre outros pontos abordados no relatório estão:

- Postos de controle tinham "listas negras" de pessoas procuradas pelas autoridades e tinham ordens para atirar nos manifestantes que tentassem passar

- Em 25 de abril, em Daraam, dezenas de recrutas que dispararam para o ar em vez de seguir uma ordem para atirar diretamente contra as casas das pessoas foram mortos pelas forças de segurança;

- Os feridos levados a hospitais militares apanharam e foram torturados durante um interrogatório. Em Homs, eles sofreram nas mãos dos agentes das forças de segurança vestidos como médicos com a cumplicidade da equipe médica real;

- Prisões arbitrárias eram comuns e a maioria dos detidos eram vendados e algemados e não tinham direito à comida ou ajuda médica. Centenas deles foram sequestrados e desapareceram.

A apresentação desse relatório coincide com um novo aumento da repressão na Síria, onde, no último sábado, morreram pelo menos 23 pessoas - entre elas três crianças - e no domingo mais dez.

Neste domingo, a Liga Árabe aprovou um pacote de sanções econômicas contra a Síria . As sanções, aprovadas por 19 dos 22 membros da Liga, incluem congelamento de bens e veto a viagens de autoridades sírias, cortes de investimentos e transações comerciais com o país e a suspensão de acordos com o banco central sírio.

Com AP e BBC

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