Sírios saem às ruas para 'testar' acordo de Assad com Liga Árabe

Forças de segurança atiram em manifestantes apesar de governo ter se comprometido a acabar com repressão

iG São Paulo |

AFP
Reprodução de vídeo do YouTube mostra manifestantes antigoverno protestando em Hama, no centro da Síria
Forças de segurança da Síria atiraram nesta sexta-feira contra manifestantes em várias áreas do país. Segundo ativistas, os protestos foram convocados para mostrar que o governo do presidente Bashar Al-Assad não pretende cumprir um acordo firmado com a Liga Árabe no qual afirmou que acabaria com a repressão aos protestos antirregime.

De acordo com os dois principais grupos ativistas do país, o Observatório Sírio de Direitos Humanos e os Comitês de Coordenação Local, a violência desta sexta-feira deixou ao menos 15 mortos, a maioria em Homs e nos subúrbios da capital síria, Damasco. Protestos também aconteceram em Daraa, Banias, Deir el-Zour e Qamishli.

A maior manifestação foi em Homs, alvo de uma operação militar na quinta-feira , segundo ativistas. “Os protestos são enormes. As pessoas pedem pela queda do regime e querem mostrar que o acordo com a Liga Árabe é uma piada”, afirmou um morador da cidade que não quis ser identificado.

Segundo o acordo, anunciado esta semana, o governo sírio concordava em acabar com a repressão aos manifestantes, libertar prisioneiros políticos e iniciar um diálogo com a oposição em até duas semanas.

A Síria também tinha concordado em permitir a entrada de jornalistas, grupos de direitos humanos e representantes da Liga Árabe para monitorar a situação no país. Os países árabes fizeram a proposta ao ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, no domingo, em uma reunião em Doha, no Catar.

Najib al-Ghadban, um ativista da oposição síria, disse que o acordo foi apenas uma tentativa de Assad de ganhar tempo. “Esse regime é famoso por fazer manobras e promessas que não cumpre”, opinou.

Assad disse no domingo a uma TV russa que aceita cooperar com a oposição, mas em outra entrevista alertou as potências ocidentais que elas causarão um "terremoto" no Oriente Médio caso intervenham na Síria, como querem muitos manifestantes.

A Síria, disse Assad falando metaforicamente, "está em uma falha geológica, e se vocês mexerem com o chão, vão causar um terremoto. Vocês querem ver outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistões?"

O governo sírio diz que os distúrbios são causados por militantes armados e financiados por governos estrangeiros, e que 1,1 mil soldados e policiais já foram mortos.

Leia também: Síria pode virar novo Afeganistão com intervenção ocidental, diz Assad

No início de outubro, a China e a Rússia vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenaria a resposta do governo da Síria aos protestos, pedindo um imediato fim da repressão aos opositores e ameaçando o país com sanções.

Oferta de anistia

Enquanto mantêm a repressão, o governo anunciou nesta sexta-feira uma anistia para quem entregar as armas antes de 12 de novembro, informou a televisão oficial em um comunicado urgente do Ministériodo Interior.

"O Ministério do Interior convida aos que portam armas, vendem, distribuem, compram ou financiam, e que não tenham cometido crimes, que se apresentem e entreguem as armas à delegacia de polícia mais próxima, de 2 a 12 de novembro", indica o comunicado. "Essas pessoas serão imediatamente liberadas e se beneficiarão de uma anistia se não cometeram assassinatos."

Essa anistia acontece "por ocasião da festa de Al-Adha (no domingo), para preservar a segurança e a ordem pública", segundo as mesmas fontes.

Com AP e AFP

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