Massacre em Homs aumenta pressão por ação da ONU contra Síria

Ativistas denunciam mais de 200 mortes neste sábado, enquanto países tentam convencer Rússia a apoiar resolução

iG São Paulo |

Ativistas denunciaram neste sábado um novo “massacre” das forças de segurança da Síria na cidade de Homs, que deixou mais de 200 mortos e se tornou um dos episódios mais violentos da revolta popular contra o presidente Bashar Al-Assad, que começou há 11 meses. A violência foi condenada por países árabes e ocidentais no mesmo dia em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve votar uma resolução contra Assad, cuja aprovação é dificultada pela Rússia .

De acordo com ativistas, a brutal ação em Homs foi uma resposta aos avanços de desertores do Exército que tinham assumido o controle de vários bairros, como o de Khaldiyeh, alvo de ataques durante toda a noite. “Estávamos dormindo quando morteiros começaram a atingir os prédios ao nosso redor”, afirmou Mohammad, um morador que não quis informar seu sobrenome, à Associated Press. “Nada provocou o ataque, ninguém estava protestando. Estamos aterrorizados. É uma catástrofe”.

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AP
Integrantes do Exército Livre da Síria, que reúne desertores do Exército, bloqueiam rua durante protesto nos arredores de Damasco

Vídeos publicados por ativistas na internet mostraram cenas caóticas de feridos sendo atendidos em clínicas improvisadas dentro de mesquitas. As imagens, cuja veracidade não foi confirmada de forma independente, mostraram corpos nas ruas, casas em chamas e moradores correndo desesperados.

O governo da Síria negou qualquer ataque e disse que os corpos mostrados nos vídeos amadores são de pessoas sequestradas por “grupos terroristas armados”. Os terroristas teriam filmado as vítimas para simular uma operação militar e dar prosseguimento à “histérica campanha” contra o governo.

Pressão internacional

A escalada de violência em Homs repercutiu em países árabes e ocidentais. A Tunísia, país que deu início às revoltas do mundo árabe , anunciou a expulsão do embaixador sírio em resposta ao “massacre sangrento” e disse que deixou de reconhecer a legitimidade do governo de Assad.

A violência também aumentou a pressão por uma ação da ONU. A votação de uma resolução contra a Síria deve acontecer neste sábado, mas negociações continuam na tentativa de convencer a Rússia , aliada do governo sírio, a não impedir a aprovação do texto.

Furiosos, cidadãos sírios invadiram as embaixadas de seus país em Berlim, Londres, Atenas, Cairo e Kuwait em protesto contra Assad e contra o fracasso internacional em pôr fim à crise. Houve confronto com a polícia em todos os locais e, no Cairo, parte do prédio foi incendiado.

O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, chamou o massacre em Homs de “crime contra a humanidade” e enviou um recado para a Rússia dizendo que “aqueles que bloqueiam a adoção da resolução da ONU estão assumindo uma responsabilidade grave e histórica”.

Em Munique, onde líderes participam de uma conferência sobre segurança, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, teria tido uma discussão acalorada com o chanceler russo, Sergey Lavrov, de acordo com diplomatas ouvidos pela agência Reuters.

“A secretária e o ministro tiveram uma discussão vigorosa. Ela deixou claro como espera que o Conselho de Segurança vote hoje”, afirmou uma autoridade americana.

Em entrevista coletiva neste sábado,Lavrov disse que a Rússia vê dois problemas na resolução da ONU: faz poucas ressalvas à atuação de grupos armados de oposição e pode prejudicar o diálogo nacional entre as forças políticas.

O Kremlin vetou em outubro , junto à China, uma resolução que condenava Damasco pela repressão violenta das manifestações opositoras. Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 7 mil foram mortos pelas forças de segurança sírias desde o início da revolta, enquanto a ONU tem uma estimativa de 5,4 mil mortos.

Com AP, Reuters, AFP e EFE

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