Violência continua na Síria apesar de acordo por cessar-fogo

Kofi Annan disse que governo sírio deve enviar sinais de que acatará plano que prevê fim dos combates até quinta-feira

iG São Paulo |

A violência continua na Síria nesta terça-feira, dia acordado para um cessar-fogo entre a oposição e o governo do presidente Bashar Al-Assad. Pelo acordo, que é parte de um plano de paz mediado pela Liga Árabe e pela Organização das Nações Unidas (ONU), todos os combates têm de acabar em até 48 horas a partir da meia-noite desta terça.

Segundo testemunhas, a cidade de Homs voltou a ser bombardeada e, durante a madrugada, houve confrontos na província de Aleppo e nas fronteiras com a Turquia e com o Líbano – áreas em que choques deixaram três mortos , incluindo um cinegrafista, na segunda-feira.

Leia também: Violência deixa mortos em áreas de fronteira da Síria

AP
Familiares lamentam morte de cinegrafista durante enterro nesta terça-feira

A escalada de violência havia se intensificado nos últimos dias, na véspera da data do cessar-fogo. Na segunda-feira, mais de cem pessoas morreram - a maior parte civis. O governo de Assad inicialmente concordou com um plano de cessar-fogo proposto pelo enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan.

Mas posteriormente Al-Assad insistiu que os manifestantes de oposição deveriam entregar garantias por escrito de que também abandonariam o esforço armado.

Para o Annan, o governo sírio falhou em enviar um “poderoso sinal político de paz”. O ex-secretário-geral da ONU disse que o Exército sírio continua suas operações em regiões populosas, apesar de um acordo para retirada das tropas.

Segundo ativistas opositores, ao menos 60 pessoas foram mortas em diferentes cidades. Apesar dos confrontos desta terça-feira, Annan disse que ainda há tempo para implementar o plano de paz e pediu cessar-fogo a ambos os lados.

"Estou seriamente preocupado com o rumo dos acontecimentos", disse Annan em carta ao Conselho de Segurança da ONU. "Os dias que antecederam 10 de abril deveriam ter sido uma oportunidade ao governo da Síria de enviar um potente sinal político de paz, com ação em todos os aspectos do plano de paz de seis pontos", disse ele. "A liderança síria deve agora aproveitar a oportunidade para fazer uma mudança fundamental de rumo. É essencial que, nas próximas 48 horas, forneça sinais visíveis de mudança imediata e inquestionável na postura militar das forças do governo pelo país", disse Annan.

O Exército pela Libertação da Síria, um dos grupos da oposição que está em conflito com o regime, disse apoiar o plano de cessar-fogo, mas não concordou com a última exigência feita por Al-Assad.

O plano de Annan previa uma retirada de tropas sírias dos centros urbanos mais populosos e o fim do uso de artilharia pesada nesta terça-feira. Na quinta-feira, o cessar-fogo seria integral, com o fim completo da violência.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que em suas negociações com o ministro sírio o governo de Damasco havia renovado seu compromisso com o plano de paz de Annan. Ele disse que o sucesso do plano depende dos países que possuem maior influência junto aos grupos de oposição.

Na segunda-feira, vários refugiados em um acampamento na Turquia ficaram feridos, depois que soldados sírios do outro lado da fronteira abriram fogo. Duas pessoas foram mortas quando se aproximaram da fronteira síria. Uma terceira foi morta no Líbano.

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse durante uma visita à China que incidentes deste tipo são uma "clara violação" das suas fronteiras, e que o país adotará "medidas cabíveis" em resposta à Síria.

A imprensa da Turquia noticiou que o ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, interrompeu sua participação na viagem à China para retornar ao país. A Turquia já recebeu quase 24 mil sírios que estão fugindo do conflito.

A ONU afirma que nove mil pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a violência entre manifestantes e governo na Síria.

Com BBC

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