Observadores árabes chegam à Síria em meio a violentos confrontos

Primeiro grupo composto por 50 monitores e outros dez oficiais da Liga Árabe entrou na Síria; violência deixa ao menos 23 mortos

iG São Paulo |

O primeiro grupo de monitores árabes chegou à Síria nesta segunda-feira para avaliar se Damasco está ou não cumprindo um plano de paz para encerrar a repressão contra manifestantes contrários ao governo do presidente Bashar al-Assad, informou um integrante da delegação árabe em Damasco.

Leia também: Delegação da Liga Árabe chega à Síria

AFP
Imagem reproduzida de vídeo amador mostra tanque sírio em rua na cidade de Homs

"Eles chegaram por volta das 20h (horário local)", afirmou a fonte, que falou por telefone com a Reuters de Damasco depois de encontrar os monitores no aeroporto.

Cinquenta monitores e outros dez oficiais da Liga Árabe chegaram do Egito em um avião privativo, marcando a primeira intervenção internacional no território para tentar encerrar os nove meses de violência entre tropas do governo e a oposição.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, alguns monitores árabes estão previstos para visitar na terça-feira Homs, lugar que concentra os maiores indíces de violência.

Vídeos amadores publicados na internet por ativistas mostraram tanques nas ruas próximo a blocos de apartamento no distrito de Baba Amr, além de corpos mutilados e poças de sangue nas ruas.

Em Homs e nos arredores, ao menos 23 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas em confrontos. Quatro desertores do Exército também foram mortos pelas forças de segurança em uma cidade próxima à fronteira com a Turquia, segundo ativistas. Nove soldados em Homs morreram queimados, de acordo com o divulgado pela mídia estatal.

"O (distrito de) Amr Baba (de Homs) está sendo exposto ao ataque feroz de metralhadoras pesadas, veículos blindados e morteiros", disse em comunicado o grupo opositor Observatório Sírio para Direitos Humanos, sediado no Reino Unido.

Partes de Homs são defendidas pelo grupo Exército da Síria Livre, formado por desertores das Forças Armadas, que dizem que tentam estabelecer áreas de acesso proibido para proteger os civis.

O Observatório documentou os nomes dos mortos nos confrontos desta segunda-feira, que começaram com ataques e prisões realizadas pelas forças pró-Assad, o que também teriam ocorrido em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, que havia sido poupada da revolta até recentemente.

Com uma insurgência armada cada vez mais ofuscando os protestos civis, muitos temem que a Síria esteja à beira de uma guerra sectária da maioria sunita contra a minoria alauíta, de Assad - uma ramificação do islamismo xiita -, especialmente após um duplo ataque suicida em Damasco na quinta-feira que deixou 44 mortos.

Pouco antes da chegada dos monitores nesta segunda-feira, a França disse que estava "profundamente preocupada pela contínua deterioração de Homs" e pediu à Síria que permita a entrada dos observadores na cidade.

O chefe da missão observadora, Mustafa al-Dabi, chegou em Damasco no sábado. A Liga disse que a missão irá, eventualmente, incluir 150 monitores. "Nossos irmãos sírios estão cooperando muito bem e sem restrições até o momento", disse Dabi a Reuters.

Mas ele acrescentou que as forças sírias proveriam transporte para os observadores, um movimento que pode enfurecer os opositores a Assad. O primeiro grupo estará dividido em cinco equipes de dez membros que irão a cinco localidades. Aqueles esperados para visitar Homs na terça-feira tentarão avaliar se Assad está retirando os tanques e os soldados da terceira maior cidade do país, como prometido.

O objetivo da missão é confirmar se o governo sírio está cumprindo com a iniciativa da Liga Árabe de retirar os militares das cidades, libertar prisioneiros e permitir a entrada da mídia internacional.

As Nações Unidas afirmam que pelo menos 5 mil sírios foram mortos desde o início da revolta, inspirada em um movimento que varreu países do norte da África e do Oriente Médio conhecido como Primavera Árabe . É estimado que pelo menos um terço das mortes tenha ocorrido em Homs ou em seus arredores.

Com Reuters e AP

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG