Mandato da missão observadora na Síria expira em meio à violência

Liga Árabe se reunirá no domingo para decidir futuro da missão de monitoramento; ativistas afirmam que 16 foram mortos

iG São Paulo |

O governo sírio retirou seus tanques de uma cidade rebelde próxima a Damasco, informaram testemunhas e ativistas nesta quinta-feira, mas ao menos 16 pessoas foram mortas pelas forças de segurança em outras regiões, no mesmo dia em que expira o mandato da missão de monitoramento da Liga Árabe.

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AP
Manifestantes contrários ao regime de Assad protestam em Zabadani, Síria

A saída dos tanques de Zabadani deixou a cidade sob o controle da oposição, informaram ativistas. A cidade testemunhou tiroteios contínuos entre os soldados do Exército e os desertores nos últimos seis dias.

A revolta de dez meses contra o presidente sírio Bashar al-Assad se militarizou recentemente, enquanto desertores do Exército e membros da oposição pegam em armas para lutar contra as forças de segurança do governo. A capital presenciou três ataques suicidas desde dezembro, pelos quais o regime responsabiliza grupos terroristas.

Os miistros da Liga Árabe devem considerar extender sua missão obervadora na Síria durante o encontro estabelecido no domingo, no Cairo, infomaram autoridades nesta quinta-feira.

Embora a missão tenha expirado nesta quinta-feira, Adnan al-Khudeir, chefe das operações de Cairo que recebe os relatórios dos monitores, disse à agência AP que os observadores continuaram na Síria até que uma decisão seja tomada no domingo.

Segundo al-Khudeir, o encontro presidido pelo chanceler do Catar discutirá um relatório do chefe da missão, Mohammed Ahmed al-DAbi que chegou da Síria no Cairo nesta quinta.

Os monitores devem permanecer em 17 lugares diferentes ao redor da Síria até que a Liga Árabe faça sua decisão final. "Se houver uma decisão de estender a missão observadora, nós estamos preparados para enviar mais monitores após um treinamento de três dias", disse, acrescentando que o número total de monitores pode alcançar 300.

A oposição síria tem se queixado de limitações impostas ao trabalho dos monitores, que deveriam acompanhar a implantação de um plano de paz, definido em novembro, que prevê a desmilitarização das cidades, a libertação de manifestantes presos e a instauração de um diálogo nacional.

O líder da Irmandade Muçulmana da Síria disse que as potências globais deveriam intensificar a pressão sobre Assad, inclusive com a instituição de zonas de exclusão aérea e de "refúgios" para ajudar a oposição.

"A comunidade internacional deveria assumir a posição correta (...), deveria isolar completamente esse regime, retirar seus embaixadores e expulsar os embaixadores do regime", disse Mohammad Shaqfa à Reuters por telefone.

Assad, cujo pai e antecessor esmagou uma revolta da Irmandade em 1982, diz que a Síria está enfrentando uma conspiração internacional que usa militantes islâmicos para destruir um bastião do nacionalismo árabe.

"O país é capaz de superar as atuais condições e de construir uma Síria forte", disse Assad, segundo a agência estatal de notícias Sana, a uma delegação da autointitulada Iniciativa do Povo Árabe para Combater a Intervenção Estrangeira na Síria.

O Conselho de Segurança está dividido sobre o que fazer quanto à Síria, já que China e Rússia bloqueiam qualquer medida que elas vejam como prenúncio de uma intervenção militar.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que os monitores tiveram perdas e ganhos, permitindo a realização de alguns protestos e cobertura da mídia, porém sob uma contínua violência. "Acreditamos que temos que aumentar a pressão econômica no regime de Assad para mudar o curso", disse. Mais de 5 mil pessoas foram mortas na repressão do regime de Assad desde março, segundo a ONU.

Os ativistas registraram contínua violência nesta quinta-feira. Em Damasco, um agente de segurança sírio foi ferido quando um pequeno artefato explodiu em Tadaman.

Outro soldado do Exército, Adel Mustafa, também foi morto por desertores em Bab Qibli, em Homs, segundo os Comitês de Coordenação Locais, um conjunto de grupos ativistas.

Com AP e Reuters

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