Líder sírio acusa estrangeiros de 'conspiração' e anuncia referendo

Em discurso, Assad promete votação sobre nova Carta, descarta renúncia e diz que responderá 'aos terroristas' com 'mão de ferro'

iG São Paulo |

AP
Imagem de TV mostra Assad discursando em Damasco, na Síria
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, anunciou nesta terça-feira um referendo sobre a Constituição do país, após culpar uma “conspiração estrangeira” pelos dez meses de protestos contra seu governo. Em discurso transmitido pela TV, Assad descartou renunciar e disse que vai responder às ameaças com “mão de ferro”.

Leia também: Liga Árabe pedirá ajuda à ONU para missão na Síria

“A conspiração está clara para todos”, afirmou. “Nossa prioridade é retomar a segurança e isso só pode acontecer se acertarmos os terroristas com mão de ferro. Não vamos ser lenientes com aqueles que trabalham com os estrangeiros.”

“Vamos declarar vitória logo”, acrescentou Assad. “Governo com a vontade do povo e, quando deixar este cargo, também será pela vontade do povo.”

O presidente da Síria afirmou que um referendo sobre a Constituição será realizado na primeira semana de março. “Esta consulta poderá ser seguida por eleições gerais em maio, já com a nova Carta em vigor”, acrescentou.

Em seu discurso, Assad criticou a Liga Árabe, que suspendeu a Síria e enviou uma equipe de observadores ao país para verificar a implantação de um plano de paz que busca encerrar a crise.
“Durante seis décadas a Liga Árabe falhou ao proteger os interesses árabes. Não é surpresa que tenha falhado novamente (com a Síria)”, afirmou.

No domingo, a Liga Árabe decidiu solicitar ajuda política, financeira e logística à ONU para apoiar a missão de observadores na Síria.

Segundo um comunicado divulgado ao término de uma reunião no Cairo, o grupo concordou em "dar tempo suficiente" aos observadores para que completem seu trabalho.

O primeiro relatório dos observadores da Liga Árabe na Síria pede o prosseguimento da missão, com a justificativa de que sofreram "perseguição" por parte das autoridades e da oposição, informou uma fonte diplomática.

O documento fala sobre a presença de corpos nas ruas, mas também sobre as acusações mútuas do poder e da oposição sobre a responsabilidade das mortes, afirmou. Os relatores informaram sobre a presença de veículos militares "na maioria das cidades" visitadas, prosseguiu o diplomata.

A ONU diz que a repressão aos protestos contra o governo já deixou mais de 5 mil mortos desde março, a maioria civis. De acordo com os Comitês Locais de Coordenação, que reúnem vários grupos de ativistas, o número é maior: 5.862 mortos .

Com AP, BBC e AFP

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