Hillary Clinton pede ação da ONU para pôr fim à violência na Síria

Ao Conselho de Segurança, representante do Catar advertiu a entidade que a 'máquina mortífera da Síria ainda está trabalhando'

iG São Paulo |

A secretária do Departamento de Estado dos EUA,  Hillary Clinton, afirmou ao Conselho de Segurança nesta terça-feira que uma ação da ONU para colocar fim à violência na Síria seria diferente dos esforços da Otan na Líbia que resultaram na queda do regime de Muamar Kadafi .

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AP
A secretária de Estado americana Hillary Clinton pisca para o chanceler britânico William Hague durante reunião na ONU
"Eu sei que alguns membros aqui podem estar preocupados que o Conselho de Segurança esteja se encaminhando para uma nova Líbia", disse Hillary referindo-se à recusa da Rússia de apoiar medidas contra a Síria, alegando que essas ações levariam a uma intervenção militar. "Essa é uma analogia falsa."

A Rússia, que já sinalizou que irá vetar uma resolução elaborada por europeus e árabes que apoia um plano da Liga Árabe, alegando que o documento poderia provocar uma operação militar semelhante àquela na Líbia .

A Rússia tem sido um dos aliados mais fortes de Assad enquanto ele tenta pôr fim a um levante popular que começou há quase 11 meses. Em outubro, Moscou vetou juntamente com a China a primeira tentativa do conselho de condenar a repressão síria e vem mostrando pouca disposição de levantar sua oposição.

"É o momento da comunidade internacional deixar suas diferenças de lado e enviar uma mensagem clara de apoio ao povo da Síria", afirmou Hillary.

Seus comentários seguiram um raro pedido da Liga Árabe para condenar a violência em um país vizinho, e adotar um plano de paz que prevê a renúncia de Bashar al-Assad.

O chefe da Liga Árabe e o premiê do Catar, que participam da reunião com o Conselho de Segurança, pediram ao órgão que tome uma ação rápida para conter a escalada da violência na Síria e apoie o plano da Liga Árabe, que prevê a renúncia do presidente sírio Bashar al-Assad.

O secretário-geral da Liga, Nabil Elaraby, afirmou que a ONU deve tomar "uma ação rápida e decisiva", enquanto o premiê do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, advertiu a entidade formada por 15 nações que a "máquina mortífera da Síria ainda está trabalhando".

Elaraby acrescentou que os países árabes estão tentando evitar uma intervenção militar estrangeira no país tomado por uma crise que já dura 10 meses, um ponto enfatizado também pelo xeque Hamad. O premiê do Catar sugeriu ao Conselho de Segurança o uso de pressão econômica.

"Não estamos pedindo uma intervenção militar", afirmou o xeque Hamad. "Defendemos o exercício de uma pressão econômica concreta para que o regime sírio possa perceber que é uma ordem atender às demandas do seu povo."

"Não buscamos uma mudança de regime. Essa é uma decisão que cabe ao povo sírio", acrescentou.

Ambas as autoridades atribuíram a crise na Síria ao governo, enquanto a Rússia tem procurado culpar tanto a oposição como o governo de forma igual. Elaraby disse que a oposição recorreu às armas por causa do que ele chamou de "uso excessivo da força" por parte das autoridades sírias.

Há várias semanas, a ONU estimou que a repressão na Síria deixou mais de 5,4 mil mortos desde o início do levante, em março. O banho de sangue aumentou na segunda-feira, enquanto forças do regime retomaram o controle de subúrbios no leste da capital depois que os desertores o ocuparam por um breve período.

O número de mortos na ofensiva de segunda-feira chegou a cem , tornando esse um dos dias mais sangrentos desde março, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos e os Comitês de Organização Local, um grupo de oposição. Somente nesta terça-feira, de acordo com os Comitês Locais de Coordenação, foram 37 mortos em confrontos.

Com AP, Reuters e AFP

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