EUA impõem sanções contra presidente sírio

Medida anunciada pelo Departamento do Tesouro congela bens de autoridades sírias nos EUA e inclui dois oficiais iranianos

iG São Paulo | 18/05/2011 18:33

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O governo do presidente americano, Barack Obama, impôs sanções contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, e mais outras seis autoridades por abusos contra os direitos humanos durante a brutal repressão aos protestos antigoverno do país, na primeira vez em que Washington penaliza diretamente o presidente sírio por ações de suas forças de segurança.

Foto: AP Ampliar

Sírios assistem discurso do presidente Bashar al-Assad em Damasco em 30/03/2011

A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA, congela os bens das autoridades sírias nos Estados Unidos ou em jurisdições americanas e, em geral, proíbe que pessoas físicas e jurídicas americanas tenham contato com elas.

Além de Assad, as sanções têm como alvo os oficiais iranianos de alto escalão Qasem Soleimani e Mohsen Chizari, que teriam dado apoio logístico e treinamento à inteligência síria, de acordo com uma ordem dada pela Casa Branca.

O vice-presidente sírio, Farouq al-Shara, o primeiro-ministro Adel Safar, o ministro do Interior Mohammad Ibrahim al-Shaar, o ministro da Defesa Ali Habib, assim como Abdul Fatah Qudsiya, o chefe da Inteligência militar síria, e Mohammed Dib Zaitoun, diretor do órgão de segurança político, também estão entre os alvos. As sanções são impostas um dia antes de o líder dos EUA fazer um grande discurso sobre os levantes em todo o mundo árabe com uma importante menção à Síria.

Erros

A medida surge no mesmo dia em que Assad admitiu que as forças de segurança do país "cometeram alguns erros" ao lidar com os protestos populares que seu governo enfrenta desde março. Assad, que está no poder há 11 anos, sucedeu ao seu pai, Hafez Al-Assad, que governou a Síria por 30 anos.

Os comentários de Bashar Al-Assad apareceram no meio de uma reportagem do jornal sírio Al-Watan, cujo assunto principal era um encontro entre o presidente e chefes tribais.

Na sexta-feira, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas disse que o número de mortos na Síria pode chegar a 850 e milhares de manifestantes têm sido presos durante a repressão militar de dois meses.

Segundo a notícia do jornal, Assad afirmou que o problema das forças de segurança era a falta de treinamento para lidar com eventos da dimensão dos protestos populares que vêm ocorrendo. De acordo com o texto, Assad disse que os agentes de segurança receberão o treinamento adequado, e afirmou que a crise no país já foi superada pelo governo.

No entanto, testemunhas disseram que as forças de segurança da Síria deixaram pelo menos oito mortos nesta quarta-feira em Talkalakh, uma cidade do oeste do país cercada pelo Exército há vários dias. Várias pessoas ficaram feridas, segundo as fontes. Na terça-feira, moradores da localidade mencionaram um "massacre" na mesma cidade.

Nesta quarta-feira, tanques bombardearam uma cidade de fronteira síria pelo quarto dia seguido, na mais recente campanha militar para conter as manifestações. As tropas entraram em Tel Kelakh no sábado, um dia depois de uma manifestação que exigia a saída de Assad.

Na terça-feira, tanques sírios se movimentaram para uma cidade do sul, na Planície Hauran, depois de cercá-la por três semanas, disseram ativistas. Soldados fizeram disparos de metralhadoras para o ar, conforme tanques e veículos blindados entravam em Nawa, uma cidade de 80 mil habitantes 60 quilômetros ao norte da cidade de Deraa, de acordo com ativistas da região. "As tropas estão agora vasculhando os bairros em Nawa e prendendo dezenas de homens", afirmou um ativista.

Em Deraa, tanques permaneceram nas ruas depois que o bairro antigo da cidade foi bombardeado. Moradores fizeram relatos de valas comuns, mas as autoridades negaram. As cidades de Inkhil e Jassem também permaneceram sitiadas, disseram ativistas de direitos humanos, acrescentando que as prisões em massa continuaram na região da Planície Hauran e outras áreas.

Aumento da pressão externa

Na terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a União Europeia e os Estados Unidos - que já impuseram sanções sobre uma série de altos funcionários sírios, mas não sobre o presidente Assad - estavam planejando novas iniciativas.

"Vamos tomar medidas adicionais nos próximos dias", afirmou Hillary, acrescentando que estava de acordo com a chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, que disse que o tempo para a Síria fazer mudanças é agora.

Assad havia sido parcialmente reabilitado no Ocidente nos últimos três anos, mas o uso da força para reprimir a dissidência nos últimos dois meses inverteu essa tendência.

Foto: AP

Foto sem data feita de celular mostra soldados sírios em telhado de local não identificado (13/05/2011)

O chanceler francês, Alain Juppé, disse na terça-feira que a França e a Grã-Bretanha estavam quase conseguindo nove votos a favor de uma resolução sobre a Síria no Conselho de Segurança da ONU, mas Rússia e China ameaçavam usar o seu veto.

Metade dos 50 parlamentares do Kuwait pediu, na terça-feira, que o Estado árabe do Golfo Pérsico corte seus laços com a Síria e expulse o embaixador, em protesto contra a violência na repressão aos protestos.

Autoridades sírias dizem que Assad pretende lançar negociações de diálogo nacional, um gesto rejeitado por líderes da oposição e ativistas do grupo principal do protesto, que argumentam que as forças de segurança devem primeiro parar de atacar os manifestantes e que os prisioneiros políticos devem ser libertados.

*Com AP, BBC, AFP e Reuters

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