Cruz Vermelha tenta trégua na Síria para levar ajuda à população

Negociações ocorrem enquanto Damasco envia reforços para Homs, em um sinal de que prepara ação terrestre contra reduto opositor

iG São Paulo |

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) negocia com o regime da Síria e as forças opositoras rebeldes uma trégua nas hostilidades para poder levar ajuda à população civil do país. "Exploramos diversas possibilidades de acesso a certas localidades que precisam de socorro de forma imediata", disse nesta segunda-feira em Genebra o porta-voz do CIRC, Bijan Farnoudi.

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AP
Sírio ferido em bombardeio de Baba Amr, na província síria de Homs, é tratado em cidade do Vale do Bekaa, Líbano
Segundo ele, a situação humanitária na Síria chegou a tal ponto de gravidade que a Cruz Vermelha considera imprescindível entrar no país para levar ajuda. A trégua é uma das opções em discussão.

Ela permitiria uma suspensão temporária dos combates para que os ativistas humanitários possam entrar nas zonas urbanas mais castigadas pelo conflito, que já dura 11 meses.

A violência política começou com a repressão de manifestações pacíficas para reivindicar reformas democráticas ao governo do presidente Bashar al-Assad, no poder desde meados de 2000, quando substituiu o pai no poder, Hafez al-Assad, que governou durante as três décadas anteriores.

Farnoudi indicou que o CICV trabalha em parceria com o grupo humanitário do Crescente Vermelho sírio e conta, além disso, com cerca de 30 funcionários próprios dentro do país. Segundo ele, a entidade está pronta para iniciar a distribuição de material médico e alimentos.

Os alimentos e equipamentos de saúde que a Cruz Vermelha Internacional poderia colocar à disposição dos necessitados de forma imediata chegariam a mais de 10 mil pessoas.

Apesar das negociações da Cruz Vermelha, as Forças Armadas da Síria enviaram tanques e outros reforços em direção a Homs, reduto da oposição, para uma possível ofensiva para acabar com a resistência opositora na cidade.

A mobilização ao redor de Homs, no centro da Síria, é um sinal indiscutível de que Bashar prepara uma operação terrestre depois de semanas de bombardeios contra o distrito de Baba Amr. Segundo o grupo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, oito pessoas foram mortas em bombardeios em áreas de Homs nesta segunda-feira. No domingo, o número de mortos chegou a 18.

Confrontos entre desertores e as forças sírias estão aumentando, e os opositores conseguiram tomar controle de pequenas partes do território no norte assim como na Província de Homs, a maior da Síria, que vai da fronteira com o Líbano no oeste ao Iraque e à Jordânia no leste.

De acordo com ativistas, Assad parece querer subjugar Homs antes de um referendo previsto para o domingo sobre uma nova Constituição, que a oposição caracteriza como reformas superficiais que não fazem nada para acabar efetivamente com o poder do regime.

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Assad ainda conta com o apoio do Irã e de aliados como a Rússia, que teme perder seu principal parceiro árabe. Mas seu governo enfrenta o aumento da pressão e do isolamento de países ocidentais e árabes.

A ONU divulgou sua última estimativa de mortes no conflito em janeiro, dizendo que 5,4 mil foram mortos apenas em 2011. Mas centenas foram mortos desde então, de acordo com grupos ativistas. O grupo Comitês de Coordenação Local diz que mais de 7,3 mil foram mortos desde o início do levante popular, em março. Não há como verificar os números de forma independente, já que a Síria proíbe a atuação de quase todos os jornalistas internacionais e organizações de direitos humanos.

*Com AP, EFE e AFP

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