Conflito na Síria deixou 230 mil desalojados, diz ONU

Informação surge no mesmo dia em que Human Rights Watch denuncia que Damasco coloca minas em fronteiras para impedir fuga

iG São Paulo |

Ao menos estimados 230 mil sírios fugiram de suas casas desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad, disseram nesta terça-feira agências de auxílio. De acordo com o coordenador de refugiados da ONU para a Síria, Panos Moumtzis, o número mais preciso poderia ser ainda maior.

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Refugiado sírio e menino são vistos em Yayladagi, Turquia (12/3)
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Segundo Moumtzis, 30 mil deixaram cruzaram a fronteira em direção à Turquia , Líbano e Jordânia desde o início da revolta, em março do ano passado, e dados coletados pela Sociedade do Crescente Vermelho Árabe-Síria sugeriram que 200 mil deixaram suas casas, mas continuam dentro do país. "E, diariamente, centenas cruzam a fronteira em direção aos países vizinhos", afirmou.

De acordo a BBC, o campo de refugiados de Hatay, comandado pelo Crescente Vermelho, recebe diariamente cerca de 200 sírios que fogem da ofensiva do regime contra a cidade de Idlib e arredores. Moumtzis também afirmou que a maioria dos 110 mil refugiados iraquianos vivendo na Síria têm enfrentado cada vez mais dificuldades por causa do aumento de preços de produtos básicos.

As informações sobre o número de sírios desalojados no conflito surgiram no mesmo dia em que a ONG Human Rights Watch denunciou que regime de Assad está colocando minas terrestres em locais perto das fronteiras com a Turquia e o Líbano, em rotas usadas por refugiados para escapar da violência. As acusações da ONG, já adiantada por jornal turco em fevereiro , foram feitas com base em relatos de testemunhas e pessoas que dizem ter desmontado minas.

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Aida chora enquanto se recupera de vários ferimentos depois que Exército sírio bombardeou sua casa em Idlib, norte da Síria (10/3)
Ao mesmo tempo, o enviado especial da ONU, Kofi Annan, está na Turquia, onde espera, ainda nesta terça, uma resposta da Síria à sua proposta para pôr fim à crise, que deixou mais de 7,5 mil mortos , segundo a organização. Além disso, Assad emitiu nesta terça-feira decreto que estabelece eleições legislativas para 7 de maio, cinco anos depois da última votação para o Parlamento de 250 cadeiras. Os EUA criticaram o anúncio do governo sírio de realizar eleições legislativas em meio à onda de violência.

A Human Rights Watch instou a Síria a interromper a instalação de minas terrestres, qualificando os artefatos de "militarmente ineficientes", ressaltando que provavelmente matarão e ferirão principalmente civis ao longo de anos.

A ONG relatou ter recebido informações de um ex-removedor de minas do Exército sírio que disse ter desmontado, com colegas, cerca de 300 artefatos na região de Hasanieh (rota usada para ir à Turquia) apenas no início deste mês.

Há relatos de que um menino de 15 anos teria perdido uma perna após a explosão de uma mina nas proximidades da fronteira com o Líbano. "Estava a 50 ou 60 metros da fronteira quando a mina explodiu", disse o garoto, em depoimento ao HRW.

Tratado contra minas

"Não há nenhuma justificativa para o uso dessas armas por nenhum país, em nenhum lugar, por nenhum propósito", criticou Steve Goose, diretor da HRW. A Síria - que não está entre os 159 países signatários do tratado de 1997 banindo a produção, o uso e o estoque de minas terrestres - não respondeu publicamente às acusações da ONG. 

Human Rights Watch diz que não estão claros o tamanho e a origem das minas usadas pela Síria, mas acredita-se que a maioria seja de fabricação russa, da era soviética. Em novembro, uma autoridade do regime sírio já havia admitido à agência Associated Press que a instalação de minas terrestres estava entre as medidas adotadas pelo país árabe para "controlar suas fronteiras".

A responsável da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, fez um apelo ao Conselho de Segurança em relação à Síria, onde a situação é "altamente trágica" e piora a cada dia. Em reunião com os 15 membros do órgão da ONU, Amos ressaltou a necessidade de alguma ação conjunta do Conselho para deter a violência e permitir trabalhos de ajuda humanitária no país árabe.

Proposta de paz

No lado turco, Annan disse aguardar uma resposta de Damasco às "propostas concretas" apresentadas a Assad. O plano, segundo Annan, tem três objetivos: um cessar-fogo, o acesso à ajuda humanitária e o início de um diálogo político. Mas o enviado da ONU admitiu que o processo diplomático levará tempo - ele descreveu a situação na Síria como "muito complexa".

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Refugiada síria chora durante protesto contra regime de Assad em Yayladagi, Turquia (12/3)
Na última segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, instaram a comunidade internacional a se unir na reação à Síria. Hillary declarou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a "horrível campanha de violência" na Síria "chocou a consciência do mundo".

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"Acreditamos que chegou a hora de todas as nações, mesmo as que previamente bloquearam nossos esforços (em referência a Rússia e China, que vetaram uma resolução contra a Síria no CS) a apoiar a abordagem humanitária e política traçada pela Liga Árabe."

*Com BBC e AP

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