Relatório mostra tortura e execução de 11 mil detentos pela Síria desde 2011

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Fotos contrabandeadas por fotógrafo desertor dão base para processos penais contra regime, dizem promotores

Há provas claras de que a Síria sistematicamente torturou e executou cerca de 11 mil detentos desde o início do levante, em março de 2011, indica um relatório produzido por três ex-promotores de crimes de guerra na ex-Iugoslávia e Serra Leoa. Os investigadores examinaram milhares de imagens estáticas de prisioneiros mortos que teriam sido contrabandeadas para fora do país por um desertor.

Conheça a home do Último Segundo

Reuters
Homem corre com criança no colo que sobreviveu, segundo ativistas, a ataque aéreo das forças leais ao presidente Bashar al-Assad em Aleppo, Síria

Negociações de paz da Síria: Convite ao Irã é retirado após ameaça de boicote

O relatório, que veio à tona um dia antes de negociações de paz terem início na Suíça, afirma que a evidência implica "agentes dos governos sírios". Damasco não fez comentários sobre o relatório, mas negou acusações de abusos dos direitos humanos durante os 34 meses do conflito.

As negociações, conhecidas como Genebra 2, começam na suíça Montreux e continuam dois dias depois em Genebra e são consideradas o maior esforço diplomático já empreendido para pôr fim ao conflito, que já deixou mais de 100 mil mortos e milhões de desalojados.

Genebra 1, 2012: Acordo deixa em aberto permanência de Assad

Paralelamente, em seu relatório anual publicado nesta terça-feira, a Human Rights Watch acusa a Rússia e a China de permitir que abusos aconteçam ao bloquear ação por meio da ONU. O grupo também acusa o governo e forças pró-oposição de abusos dos direitos humanos, incluindo tortura e mortes extrajudiciais. Genebra 2, diz, "não deveria se tornar a mais recente desculpa para evitar ação para proteger os civis sírios".

O relatório dos ex-promotores de crimes de guerra foi comissionado pelo Catar, que apoia os grupos rebeldes e de oposição da Síria. Ele está baseado nas evidências fornecidas por um fotógrafo da polícia militar desertor, identificado apenas como Caesar, que, juntamente com outros, alegadamente contrabandeou para fora da Síria cerca de 55 mil imagens digitais de cerca de 11 mil detentos mortos.

Infográfico: O que está em jogo para o Oriente Médio com a Síria

Ele disse que seu trabalho vinha sendo tirar fotografias de corpos, tanto para permitir a produção de uma certidão de óbito quanto para confirmar que ordens de execução foram acatadas. "Poderia haver cerca de 50 corpos por dia para fotografar, o que requeria de 15 a 30 minutos de trabalho por cada cadáver", ele é citado dizendo.

Ele não alegou ter testemunhado assassinatos ou tortura por si próprio, o que, segundo os investigadores, deu peso a seu testemunho. As fotografias cobrem um período desde o início do levante, em 2011, até agosto do ano passado.

Sexta: Síria oferece trocar prisioneiros de guerra com forças da oposição

Com exceção de um, todos os corpos mostrados são de homens. Investigadores dizem que a maioria tinha definhado; muitos haviam apanhado ou sido estrangulados. Alguns não tinham olhos, enquanto outros mostravam sinais de eletrocução.

Família síria acena a parentes após entrar em ônibus em direção a aeroporto para ir à Alemanha, onde foram aceitos como asilados temporários, em Beirute, Líbano (10/10). Foto: APTanque velho sírio é cercado por fogo após explosão de morteiros nas Colinas do Golan, território controlado por Israel (16/07). Foto: APCombatentes do Exército Sírio Livre carregam suas armas e se preparam para ofensiva contra forças leais a Assad em Deir al-Zor (12/07). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06). Foto: ReutersProtesto em Beirute contra a participação do Hezbollah na guerra síria (09/06). Foto: APFumaça é vista no vilarejo sírio de Quneitra perto da fronteira de Israel´(06/06). Foto: APLibanês foi ferido após segundo foguete de rebeldes sírios atingir sua casa em Hermel (29/05). Foto: APRefugiados sírios são abrigados em prédio da cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria (12/05). Foto: APHomens carregam ferido após explosão em cidade turca perto da fronteira síria (11/05). Foto: ReutersExplosão em cidade turca perto da fronteira com a Síria deixa dezenas de mortos (11/05). Foto: ReutersResidente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05). Foto: ReutersCombatente do Exército Livre da Síria descansa em pilha de sacos de areia em campo de refugiados (06/05). Foto: APIsrael atacou instalações militares na área de Damasco, acusa Síria (05/05). Foto: BBCReprodução de vídeo mostra fumaça e fogo no céu sobre Damasco na madrugada deste domingo (05/05). Foto: APPresidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco (04/05). Foto: APReprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05). Foto: APBombeiros apagam fogo de carro em chamas em cena de explosão no distrito central de Marjeh, Damasco, Síria (30/04). Foto: APReprodução de vídeo mostra bombardeio em Daraya, Síria (25/04). Foto: APDruso carrega retrato do presidente sírio em que se lê 'Síria, Deus protege você', nas, Colinas do Golan (17/04). Foto: APFumaça e carros destruídos na praça Sabaa Bahrat, em Damasco, após explosão de carro-bomba (08/04). Foto: APMembro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04). Foto: ReutersReprodução de vídeo mostra militantes do Exército Livre da Síria durante combates em Damasco (25/03). Foto: APManifestantes protestam contra Bashar al-Assad em Aleppo, na Síria (23/03). Foto: ReutersMesa de xeque Mohammad Said Ramadan al-Buti, aliado de Assad, é vista após ataque em Damasco (21/03). Foto: APSírio vítima de suposto ataque químico recebe tratamento em Khan al-Assal, de acordo com agência estatal (19/03). Foto: APSírias são vistos perto de corpos retirados de rio perto de bairro de Aleppo (10/03). Foto: APReprodução de vídeo mostra soldado do governo sírio morto em academia de polícia em Khan al-Asal, Aleppo (03/03). Foto: APHomem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (fevereiro). Foto: ReutersMembro do Exército Livre da Síria aponta arma durante supostos confrontos contra forças de Assad em Aleppo (26/02). Foto: ReutersMembros de grupo islâmico seguram armas durante protesto contra regime em Deir el-Zor (25/02). Foto: ReutersMorador escreve em lápide nome de neta morta em ataque contra vila em Idlib, Síria (24/02). Foto: APChamas e fumaça são vistas em local de ataque no centro de Damasco, Síria (21/02). Foto: APRebeldes do Exército Livre da Síria preparam munições perto do aeroporto militar de Menagh, no interior de Aleppo (25/01). Foto: ReutersRebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base de Taftanaz (11/01). Foto: APCrianças sírias viajam em caminhonete em Aleppo (02/01). Foto: Reuters

O professor Sir Geoffrey NiceOne, um dos autores do relatório, disse ao programa Newsday da BBC que a escala e a consistência das mortes fornecem fortes evidências do envolvimento do governo que permitiriam um processo penal.

Observatório: Conflitos entre rebeldes rivais da Síria mataram mais de 1 mil

O patologista forense Stuart Hamilton disse ao Newsday que, nas imagens que viu, um grande número de detidos mostravam "evidências significativas de morte por fome".

Segundo ele, muitos pareciam que haviam sido amarrados ou contidos. "Havia um grande número que foi espancado. E havia uma minoria significativa que claramente foi estrangulada", afirmou.

O relatório afirma que as imagens são "evidência clara" de "tortura sistemàtica e matança de detentos por agentes do governo sírio".

*Com BBC

Leia tudo sobre: síriamundo árabeassadprimavera árabetortura

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas