Fotos contrabandeadas por fotógrafo desertor dão base para processos penais contra regime, dizem promotores

Há provas claras de que a Síria sistematicamente torturou e executou cerca de 11 mil detentos desde o início do levante, em março de 2011, indica um relatório produzido por três ex-promotores de crimes de guerra na ex-Iugoslávia e Serra Leoa. Os investigadores examinaram milhares de imagens estáticas de prisioneiros mortos que teriam sido contrabandeadas para fora do país por um desertor.

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Homem corre com criança no colo que sobreviveu, segundo ativistas, a ataque aéreo das forças leais ao presidente Bashar al-Assad em Aleppo, Síria
Reuters
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O relatório, que veio à tona um dia antes de negociações de paz terem início na Suíça, afirma que a evidência implica "agentes dos governos sírios". Damasco não fez comentários sobre o relatório, mas negou acusações de abusos dos direitos humanos durante os 34 meses do conflito.

As negociações, conhecidas como Genebra 2, começam na suíça Montreux e continuam dois dias depois em Genebra e são consideradas o maior esforço diplomático já empreendido para pôr fim ao conflito, que já deixou mais de 100 mil mortos e milhões de desalojados.

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Paralelamente, em seu relatório anual publicado nesta terça-feira, a Human Rights Watch acusa a Rússia e a China de permitir que abusos aconteçam ao bloquear ação por meio da ONU. O grupo também acusa o governo e forças pró-oposição de abusos dos direitos humanos, incluindo tortura e mortes extrajudiciais. Genebra 2, diz, "não deveria se tornar a mais recente desculpa para evitar ação para proteger os civis sírios".

O relatório dos ex-promotores de crimes de guerra foi comissionado pelo Catar, que apoia os grupos rebeldes e de oposição da Síria. Ele está baseado nas evidências fornecidas por um fotógrafo da polícia militar desertor, identificado apenas como Caesar, que, juntamente com outros, alegadamente contrabandeou para fora da Síria cerca de 55 mil imagens digitais de cerca de 11 mil detentos mortos.

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Ele disse que seu trabalho vinha sendo tirar fotografias de corpos, tanto para permitir a produção de uma certidão de óbito quanto para confirmar que ordens de execução foram acatadas. "Poderia haver cerca de 50 corpos por dia para fotografar, o que requeria de 15 a 30 minutos de trabalho por cada cadáver", ele é citado dizendo.

Ele não alegou ter testemunhado assassinatos ou tortura por si próprio, o que, segundo os investigadores, deu peso a seu testemunho. As fotografias cobrem um período desde o início do levante, em 2011, até agosto do ano passado.

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Com exceção de um, todos os corpos mostrados são de homens. Investigadores dizem que a maioria tinha definhado; muitos haviam apanhado ou sido estrangulados. Alguns não tinham olhos, enquanto outros mostravam sinais de eletrocução.

O professor Sir Geoffrey NiceOne, um dos autores do relatório, disse ao programa Newsday da BBC que a escala e a consistência das mortes fornecem fortes evidências do envolvimento do governo que permitiriam um processo penal.

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O patologista forense Stuart Hamilton disse ao Newsday que, nas imagens que viu, um grande número de detidos mostravam "evidências significativas de morte por fome".

Segundo ele, muitos pareciam que haviam sido amarrados ou contidos. "Havia um grande número que foi espancado. E havia uma minoria significativa que claramente foi estrangulada", afirmou.

O relatório afirma que as imagens são "evidência clara" de "tortura sistemàtica e matança de detentos por agentes do governo sírio".

*Com BBC

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