Busca de resolução para Síria entregar armas químicas provoca divergências

Por iG São Paulo |

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EUA apoiam consequências caso Damasco fracasse em cumprir acordo; Rússia defende retirada de menção militar

Os EUA e a França apoiaram nesta terça-feira (10) uma dura resolução na ONU para garantir que o regime presidente sírio Bashar al-Assad entregue seu estoque de armas químicas à comunidade internacional, mas a Rússia, forte aliada de Assad, exige que o Ocidente descarte ataque militar caso Damasco não cumpra suas promessas. A divisão diplomática ameaça um acordo que poderia evitar ataques americanos contra a Síria.

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O governo Assad prometeu nesta terça-feira a cooperar completamente com uma proposta russa, que pede que a Síria coloque suas armas químicas sob controle internacional, para uma eventual destruição.

O ministro das Relações Exteriores da Síria Walid al-Moallem afirmou à TV libanesa Al-Mayadeen que a Síria indicaria a localização de suas armas químicas nas mãos de representantes da Rússia, de "outros países" e das Nações Unidas. Ele prometeu que seu país também declararia os itens de seu arsenal, pararia de produzir armas desse tipo e assinaria convenções contra elas.

Preocupada com que Damasco esteja somente buscando evitar uma ação militar americana, Washington e Paris disseram buscar uma forte linguagem na ONU para impor o plano russo. O presidente russo Vladimir Putin disse que o plano somente pode funcionar se "o lado americano e aqueles que apoiam os EUA, nesse sentido, rejeitarem ao uso da força."

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Em comunicado, o chanceler russo Sergei Lavrov afirmou ao seu colega francês Laurent Fabius que é inaceitável que a resolução cite o Capítulo 7 da Carta da ONU, que fala em ação militar.

Por sua vez, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que os EUA rejeitam a sugestão da Rússia de que o aval da ONU venha na forma de um comunicado não vinculativo publicado pelo presidente do Conselho de Segurança.

Os EUA terão que possuir uma resolução total, que implica em "consequências se alguém tentar prejudicar o jogo", disse Kerry. Uma fonte do Departamento de Estado ouvida pela agência Associated Press disse depois que Kerry viajaria a Suíça para discutir o acordo com Lavrov na quinta-feira.

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Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU cancelaram os planos para consultas fechadas sobre uma resolução para a Síria nesta terça-feira.

Os acontecimentos ameaçaram o que parecia ser um movimento em direção a um plano que poderia fazer com que o governo Obama evitasse uma ação militar. O apoio doméstico ao ataque é incerto nos EUA, mesmo com o presidente Barack Obama buscando respaldo no Congresso para ainvervenção. Também há pouca vontade internacional em unir forças contra Assad.

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Os EUA e seus aliados insistem que Assad deve ser punido por um suposto ataque químico que deixou centenas de mortos perto de Damasco. O governo de Obama, da França, entre outros responsabilizam o regime pelo ataque, mas Damasco insiste que rebeldes, e não suas forças, esão por trás do incidente. Os EUA disseram que mais de 1,4 mil sírios morreram.

Fabius disse que a resolução deve ser forte para garantir que o plano russo "não seja usado como um desvio". As autoridades francesas "não querem cair na armadilha" que poderia permitir que o regime Assad contorne sua responsabilidade ou ganhe tempo, disse. A credibilidade da Síria em aceitar o plano seria determinada pela "aceitação dessas condições precisas".

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Ele afirmou que o projeto de resolução da França exigiria que a Síria abrisse seu programa de armas químicas para inspeção, colocasse o arsenal sobre o controle internacional para posterior desmantelamento. Uma violação a esse compromisso, ele afirmou, levaria a "consequências muito sérias". A resolução condenaria o ataque e traria os responsáveis a Justiça.

Obama concordou em discutir essa resolução na ONU. O premiê britânico David Cameron disse que seu país se uniria a França e aos EUA em colocar essa proposta na pauta.

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A Rússia, enquanto isso, disse que estava trabalhando com Damasco em um detalhado plano de ação a ser apresentado, disse Lavrov. A Rússia estaria preparada para finalizar o plano com o secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon. "

Obama, que está prestes a fazer um pronunciamento à nação sobre a Síria, elogiou com cautela a proposta. Mas afirmou que os EUA seguem preparados para seguir adiante com os ataques se as novas tentativas fracassem.

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O presidente acrescentou que a ideia em relação às armas químicas foi abordada em seu encontro com Putin na semana passada, paralelo à reunião da cúpula do G20 em São Petersburgo, Rússia.

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Na segunda-feira, Kerry disse que Assad poderia resolver a crise colocando o controle de seu arsenal químico sob a comunidade internacional. Lavrov respondeu prometendo pressionar a Síria a aceitar essa condição para evitar ataques americanos. A aceitação da Síria veio 24 horas depois.

Com AP

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