Departamento de Estado reitera que EUA reavaliam ajuda ao país, e Conselho de Segurança faz reunião privada

O Ministério de Saúde do Egito aumentou nesta quinta-feira para 638 o número de mortos na violência que se seguiu no Cairo e em outras cidades do país depois da repressão a dois acampamentos de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi . De acordo com o porta-voz do ministério, Mohammed Fathallah, o número de feridos também aumentou para 3.994.

Aliado: Obama condena violência e cancela exercícios militares com Egito

Quarta: Egito defende repressão contra partidários de presidente deposto

Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8)
AP
Egípcios choram perto de corpos de parentes na mesquita de El-Iman, em Nasr City, Cairo (15/8)

Reação ao massacre: Partidários de Morsi invadem prédios do governo

Golpe no Egito: Leia todas as notícias sobre a queda de Morsi

O Departamento de Estado dos EUA alertou os cidadãos americanos a não viajar ao Egito e aconselhou aqueles que moram no país a partir. Previamente, o presidente americano, Barack Obama, condenou a violência e anunciou que os EUA estavam cancelando exercícios militares conjuntos com as forças egípcias previstas para o próximo mês. Ele também acrescentou que medidas adicionais estavam sob análise.

Saiba mais: Entenda as causas dos conflitos no Egito

A advertência foi reiterada pelo Departamento de Estado, que disse nesta quinta que os EUA vão rever a ajuda que concedem ao Egito "em todas as formas". "Daqui para frente, como vocês viram evidências esta manhã com o anúncio, continuaremos a avaliar e analisar nosso auxílio em todas as formas", disse a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki referindo-se ao pronunciamento de Obama.

Dia 24 de julho: EUA atrasam entrega de jatos F-16 ao Egito

Egípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8)
AP
Egípcios choram sobre corpos de parentes mortos em repressão militar no dia anterior no Cairo (15/8)

Galeria de fotos: Veja imagens da ação da polícia contra acampamentos

Psaki também condenou os "ataques repreensíveis" ao longo dos últimos dias contra igrejas cristãs coptas e os recentes ataques a prédios públicos no Egito. "Esses ataques estão agravando ainda mais um ambiente já frágil", acrescentou. Autoridades norte-americanas têm debatido o que fazer com a ajuda de US$ 1,55 bilhão, principalmente militar, enviada anualmente ao governo egípcio.

Por causa da repressão violenta a partidários de Morsi, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta quinta para discutir a situação a portas fechadas com o secretário-geral-adjunto da organização, Jan Eliasson. A reunião foi solicitada conjuntamente por França, Reino Unido e Austrália, membros do conselho.

Início: Polícia avança contra acampamentos pró-Morsi e violência se alastra

Governantes egípcios apoiados pelos militares ordenaram a tomada dos acampamentos de protesto pró-Morsi após o amanhecer de quarta-feira, seis semanas depois que o Exército derrubou o primeiro líder eleito livremente no país .

Veja imagens da crise no Egito desde o golpe no Egito:

Após a repressão brutal aos manifestantes, a presidência interina do Egito declarou um mês de estado de emergência no Egito, impondo um toque de recolher noturno no Cairo e em outras províncias. Por causa da violência, o

Em reação à repressão violenta do governo, o vice-presidente egípcio, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo . "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais não concordo e cujas consequências temo. Não posso carregar a responsabilidade por uma única gota de sangue", escreveu em sua carta de renúncia a Mansour.

*Com AP e Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.