Exames em sírios mostram sinais de uso de armas químicas, diz Turquia

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

De acordo com primeiro-ministro e chanceler, indícios de uso de armamento não convencional foram detectados por meio de testes em refugiados que estão no país

Exames em vítimas da Síria que chegaram à Turquia indicaram que armas químicas foram usadas pelas forças sírias, e mais testes eram realizados para confirmar esse indício, disse o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, nesta sexta-feira.

Contradição: Painel da ONU recua e nega alegação de uso de gás sarin por rebeldes sírios

Reuters
Residente caminha sobre destroços de prédios em rua de Deir al-Zor, Síria (09/05)

Desafio: Entenda métodos e empecilhos para identificar uso de armas químicas

NYT: Procedimentos complexos dificultam averiguação de uso de armas químicas

"Estamos fazendo testes e temos algumas indicações de que armas químicas foram usadas, mas, para ter certeza, continuamos com esses testes e vamos compartilhá-los com as agências da ONU", disse Davutoglu em Amã.

Março: Síria e rebeldes trocam acusações de 'ataque químico'

Os EUA dizem haver novas evidências de que o regime usou armas químicas. Washington afirmou que sua inteligência indica que a Síria usou o gás neurológico sarin em ao menos duas ocasiões, mas o presidente Barack Obama fez a ressalva de que precisa de mais provas definitivas antes de tomar um decisão de como responder - e se tomará uma ação militar. Damasco nega o uso de armamento não convencional.

Na quinta, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que a Turquia apoiaria uma eventual zona de exclusão aérea imposta pelos EUA na Síria e advertiu que Damasco cruzou a "linha vermelha" definida por Obama sobre as armas químicas há muito tempo.

Segundo Erdogan disse à rede de TV americana NBC, as forças leais a Assad dispararam mísseis com armas químicas em seus adversários. "É claro que o regime usou armas químicas e mísseis. Eles usaram cerca de 200 mísseis, de acordo com a nossa inteligência", declarou sem esclarecer, porém, se todos os projéteis carregavam o armamento não convencional.

Sarin: Israel acusa governo Assad de usar armas químicas contra rebeldes sírios

AP
Primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fala perante parlamentares em Ancara (15/11)

Vídeo: Jornalista britânico relata suposto ataque com armas químicas na Síria

Ele também não disse se a suposta arma química empregada pelo regime sírio seria o gás sarin. "Há diferentes tamanhos de mísseis. E depois há mortes causadas por esses mísseis. E há queimaduras queimaduras graves e reações químicas", disse Erdogan. "E há os pacientes trazidos aos nossos hospitais cujas queimaduras indicam que foram feridos por essas armas químicas", explicou, informou que a Turquia compartilhará dados de inteligência com o Conselho de Segurança da ONU.

A agência de notícias estatal turca Anatolian afirmou na quinta que o país enviou oito especialistas para a fronteira com a Síria para fazer exames em vítimas feridas da guerra civil em busca de vestígios de armas químicas e biológicas. As forças do presidente da Síria, Bashar al-Assad, e da oposição se acusam mutualmente pelo uso de armas químicas. Mas Erdogan disse que duvidava que os oponentes de Assad tenham usado essas armas por não ter acesso a elas.

Zona de exclusão aérea

Uma zona de exclusão aérea para proibir aviões militares sírios de atingir alvos rebeldes foi mencionado pelos parlamentares americanos como uma opção que os EUA poderiam usar para pressionar Assad.

Secretário da Defesa: EUA consideram armar rebeldes sírios

"Desde o começo diríamos 'sim'", disse Erdogan, quando questionado se a Turquia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que compartilha a maior parte de sua fronteira com a Síria, apoiaria tal ação, de acordo com entrevista à rede de TV americana.

Mas a criação de uma zona de exclusão aérea exigiria ataques aéreos dos EUA e, possivelmente, o envio de forças para a Síria. Há pouca chance de que o governo americano se comprometa com isso em curto prazo, dizem autoridades de segurança americanas.

Apesar disso, os comentários de Erdogan podem pressionar Washington a agir em relação à guerra civil de mais de dois anos, que deixou mais de 70 mil mortos e desestabilizou ainda mais uma região volátil.

*Com Reuters

Leia tudo sobre: síriaassadarmas químicasturquiamundo árabeprimavera árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas