EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Inteligência americana acredita com 'certo grau de confiança' que as forças de Assad usaram 'em pequena escala' o gás sarin contra rebeldes que tentam depor regime

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Secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, fala durante coletiva no Pentágono (foto de arquivo)

A Inteligência dos EUA concluiu, "com algum grau de confiança", que o regime sírio de Bashar al-Assad usou por duas vezes armas químicas contra os rebeldes que tentam depor o regime na guerra civil de dois anos do país, disse a Casa Branca e outras duas graduadas autoridades do governo.

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Entretanto, autoridades também fizeram a ressalva de que provas mais definitivas eram necessárias, com os EUA não estando prontos para escalar seu envolvimento na Síria além do auxílio não letal, apesar das reiteradas declarações públicas do presidente Barack Obama de que o uso ou transferência de armas químicas para um grupo terrorista representaria o cruzamento de "uma linha vermelha".

De acordo com o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, a Casa Branca informou por carta aos senadores John McCain, republicano do Arizona, e Carl Levin, democrata de Michigan, que, no último dia, "nossa comunidade de Inteligência afirma, com graus de confiança variáveis, que o regime sírio usou armas químicas em pequena escala na Síria, especificamente o agente químico sarin". "Isso viola qualquer convenção de guerra", afirmou o secretário de Defesa em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

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Pouco depois de a informação sobre as cartas ter vindo a público, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou no Capitólio que as armas químicas foram usadas em duas ocasiões. Não foi revelada nenhuma informação sobre qual quantidade de armas químicas pode ter sido usada ou quando teriam sido empregadas e se deixaram vítimas. Segundo Hagel, muitos desses detalhes são confidenciais.

Previamente, Obama havia alertado que o uso de armas químicas poderia mudar a posição de Washington adotada até agora de não intervir militarmente na guerra civil do país. Na carta enviada a Congresso, o governo reitera que o uso ou transferência de armas químicas na Síria é "uma linha vermelha para os EUA ". Entretanto, a correspondência também indica que uma ampla resposta dos EUA não é iminente.

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Uma fonte graduada de Defesa disse que a carta da Casa Branca não era um "gatilho automático" para decisões políticas favoráveis ao uso de força militar. A autoridade lembrou de casos passados baseados no que se confirmou posteriormente como erros de inteligência, como a decisão do governo de George W. Bush (2001-2009) de invadir o Iraque depois de concluir que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, incluindo armamento nuclear.

O diretor legislativo da Casa Branca, Miguel Rodriguez, signatário da carta enviada aos senadores, escreveu que, "como o presidente leva essa questão muito a sério, temos a obrigação de investigar completamente qualquer e toda a evidência de uso de armas químicas dentro da Síria". A análise, diz Rodriguez, é baseada parcialmente em "amostras fisiológicas".

Segundo ele, os EUA acreditam que o uso de armas químicas "se originou com o regime de Assad", em consistência com afirmações prévias do governo Obama de que os rebeldes não têm acesso aos estoques do país.

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A informação sobre a conclusão da Inteligência americana surgiu dois dias depois de o brigadeiro-general Itai Brun, chefe de pesquisa e análise na Inteligência do Exército de Israel, ter afirmado que forças de Assad usaram armas químicas no mês passado em confrontos contra os rebeldes.

AP
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Segundo ele, evidências visuais dos supostos ataques, como imagens de pessoas feridas, indicam o uso desse tipo de armamento não convencional. Ele, porém, não deu qualquer indicação de que tivesse outra evidência, como mostras de solo.

"Para o melhor do nosso conhecimento profissional, o regime usou armas químicas letais contra os militantes em uma série de incidentes nos últimos meses, incluindo o relativamente famoso de 19 de março", disse Brun. "Pupilas retraídas, espuma nas bocas e outros sinais indicam, em nossa visão, que armas químicas letais foram usadas."

*Com AP

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