Síria reforça segurança no segundo aniversário de levante contra o regime

Por iG São Paulo |

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Medidas são tomadas na capital Damasco enquanto rebeldes conclamam partidários a aumentar ações contra governo; União Europeia deve discutir pôr fim a embargo de armas

Autoridades da Síria reforçaram as medidas de segurança nesta sexta-feira na capital Damasco enquanto os rebeldes que lutam para depor o presidente Bashar al-Assad conclamaram seus partidários a marcar o segundo ano do levante aumentando os ataques contra o regime. As medidas foram tomadas no mesmo dia em que a União Europeia discutirá se levanta seu embargo de armas para permitir o envio de armamento aos rebeldes.

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Reuters
Crianças sírias e jordanianas formam a palavra 'Síria' com velas durante momento de silêncio em Amã antes de aniversário de dois anos do conflito sírio (14/03)

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A revolta contra o governo autoritário de Assad começou em março de 2011 com protestos em Daraa, no sul do país, depois que soldados prenderam adolescentes que picharam slogans antigoverno em um muro. Desde então, o conflito se tornou uma guerra civil com estimados 70 mil mortos, de acordo com a ONU.

Nesta sexta, alguns rebeldes pediram um aumento dos ataques para marcar a data. O grupo islâmico Irmandade Muçulmana, que é banido no país, conclamou os partidários a uma "semana de ação", mas não especificou quais medidas tomaria.

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Um ativista com base em Damasco que se identificou como Abu Qais disse que os soldados aumentaram as patrulhas e as buscas de segurança na capital do país. Ele falou sob condição de que seu nome real não fosse usado por preocupações de segurança.

Enquanto isso, no vizinho Líbano, atiradores atearam fogo em três tanques de combustível com placas sírias para evitar que cruzassem para a Síria, informou a estatal Agência Nacional de Notícias.

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A agência libanesa disse que o incidente aconteceu em Trípoli, no norte do país, e que os tanques levavam combustível quando foram parados por manifestantes e posteriormente incendiados. Não há informações sobre vítimas.

Previamente os manifestantes fecharam estradas para impedir a passagem de caminhões-tanque para a Síria, onde há uma severa escassez de gasolina e diesel. Eles alegam que o diesel exportado para a Síria vem sendo usado nos tanques militares do regime.

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Muitos sunitas libaneses têm apoiado as forças rebeldes em sua maioria sunitas da Síria, nas quais radicais islâmicos se tornam cada vez mais ativos. Os xiitas libaneses, incluindo o grupo militante Hezbollah, alinharam-se a Assad, cuja minúscula seita alauíta é um ramo do xiismo.

Separadamente, o Ministério de Relações Exteriores sírio reclamou em uma carta enviada ao governo libanês na quinta que grupos armados tentaram repetidamente se infiltrar na Síria a partir do Líbano nas últimas 36 horas, desatando confrontos com guardas de fronteira.

AP
Pessoas participam de vigília à luz de velas em Londres para marcar os dois anos desde o início do conflito na Síria (14/03)

Damasco disse que os soldados sírios exercitaram uma "grande contenção" até agora para não atacar gangues armadas dentro do território libanês, mas alertou que a "paciência da Síria não é ilimitada". "A Síria espera que o lado libanês impeça que esses grupos terroristas armados usem as fronteiras como um ponto de travessia, porque eles estão mirando o povo sírio e violando a soberania da Síria", disse a mensagem diplomática.

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O Líbano tem uma política de "dissociação" com a guerra civil de dois anos na Síria, mas autoridades afirmam que sentem que seu país está cada vez mais em risco de ser arrastado para o conflito.

O chefe da agência da ONU para refugiados, António Guterres, disse na sexta-feira que o conflito sírio ameaça a existência do Líbano. "A comunidade internacional deve reconhecer que a crise síria representa uma ameaça existencial para o Líbano e deve mostrar um apoio muito maior do que tem feito até agora", disse em Beirute.

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