Rebeldes sírios avançam sobre aeroporto de Aleppo

Por iG São Paulo |

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Bases aéreas são tomadas pelos combatentes da oposição, enquanto grupo da ONU alerta Conselho de Segurança para cerca de 70 mil mortos no conflito na Síria

Os rebeldes sírios capturaram nesta terça-feira (12) uma pequena base militar próxima de Aleppo e invadiram outra localizada na mesma região e que protege o principal aeroporto da cidade, informaram ativistas. Os combates acontecem um dia depois de os opositores ao regime de Bashar al-Assad terem tomado a maior represa do país.

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AP
Jato sírio em hangar depois que rebeldes capturaram o aeródromo de Jarrah, na província de Aleppo


Com as últimas conquistas, os opositores ao regime de Assad parecem estar recuperando o fôlego na luta, expandindo também sua zona de controle ao norte enquanto pressiona a capital, Damasco.

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Os rebeldes vêm atacando o aeroporto civil de Aleppo, que permanece nas mãos do regime, há semanas. Eles agora parecem ter vencido as principais defesas em torno do local e os voos civis estão paralisados há semanas por causa dos combates.

Em Nova York, a chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, disse que o número de mortos no conflito da Síria se aproxima dos 70 mil. Essa divulgação ocorre exatamente seis semanas depois de ela ter confirmado que o número de vítimas fatais passava de 60 mil, o que foi considerado "realmente chocante" pela ONU.

Ela disse ao Conselho de Segurança da ONU que houve provavelmente 10 mil novas mortes nas últimas semanas. Navi afirmou também que a profunda divisão do conselho e a falta de ação em quase dois anos de conflito tem sido um "desastre" e que os civis pagam o preço.

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Enquanto os rebeldes fizeram novas conquistas nas províncias do norte, como Aleppo e Raqqa, eles também lutaram rua por rua pelo domínio da cidade de Deir el-Zour, localizada perto da fronteira com o Iraque, ao leste do país. Eles tentam dominar a cidade, capital da província que leva o mesmo nome e que é rica em petróleo.

No momento, os rebeldes controlam grandes áreas nas três províncias. Mas se eles conseguirem dominá-las por completo, estariam no controle da água e do petróleo do país, bem como das plantações de trigo. "Se as três províncias caírem nas mãos dos rebeldes, será uma quebra estratégica do regime", disse Rami Abdul-Rahman, que chefia o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, um grupo ativista com base no Reino Unido.

Abdul Rahman disse que depois de dias de lutas esporádicas em torno do aeródromo de Jarrah, os rebeldes lançaram um ataque maior à base na segunda-feira e conseguiram conquistar o complexo na manhã de terça. Ele disse que vários soldados leais a Assad foram mortos ou ficaram feridos, enquanto outras tropas fugiram com o avanço dos rebeldes. Não se sabe se soldados da oposição foram mortos.

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Um vídeo publicado na internet por ativistas mostrava diversos aviões militares em Jarrah, alguns estacionados na pista e outros em hangares ao lado de caixas de munição. "Esses aviões de guerra estão agora nas mãos do movimento islâmico Ahrar al-Sham", disse um rebelde no vídeo.

No início do mês, o Observatório havia afirmado que os rebeldes capturaram outra represa pequena na província Raqqa, a represa Baath, que leva o nome do partido de Assad. Em novembro, opositores dominaram a represa da hidrelétrica Tishrin, perto da cidade de Manbij, na província de Aleppo. Os rebeldes também invadiram uma base nesta terça-feira. O Observatório disse que o Centro da Mídia em Aleppo disse que rebeldes capturaram boa parte da Brigada 80, base perto do aeroporto civil.

Outro incidente ocorreu em Homs. Em um raro ataque, um morteiro caiu sobre uma refinaria de petróleo, matando um empregado e deixando três feridos.

Diálogo

Apesar da intensificação dos combates, a oposição e o governo garantem que estão prontos para um diálogo para colocar fim à crise.

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O ministro sírio da Informação, Omran al-Zoubi, disse que "o destino e o futuro dos sírios deveriam ser decididos em Damasco pelos próprios sírios".

Aparentemente, ele respondia aos pedidos do líder da oposição Mouaz al-Khatib que disse que estava pronto para dialogar com o regime na Síria desde que isso aconteça em territórios dominados por rebeldes. Al-Khatib também exigiu que as autoridades libertem 160 mil detidos e renovem os passaportes dos dissidentes que vivem fora do país.

O ministro da Reconciliação Nacional Ali Haider afirmou aos repórteres em Damasco que o governo tinha cumprido um pacote de medidas para renovar esses passaportes e que eles já estavam em vigor.

Com AP

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