Sergei Lavrov afirma que Rússia não dará asilo a Assad; segundo o chanceler, Síria concentrou seu arsenal nuclear em um ou dois centros para mantê-lo longe dos rebeldes

O ministro Exterior russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou saudaria qualquer país que oferecesse asilo ao presidente sírio, Bashar al-Assad, mas destacou que a Rússia não tem intenção de lhe dar abrigo, caso ele renuncie ao poder. Ele também afirmou que nenhum lado vencerá a guerra civil no país, que já dura 21 meses.

"Escutem, ninguém vai vencer esta guerra", disse Lavrov . "Assad não vai a lugar algum, não importa o que digam, seja China ou Rússia."

A Rússia usou seu poder de veto no Conselho de Segurança para proteger seu aliado de sanções, mas vem, aos poucos, suavizando sua posição desde que o enviado do Kremlin ao Oriente Médio foi citado como tendo dito, no início do mês, que os rebeldes podem derrotar o governo de Assad .

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Chanceler russo Sergei Lavrov se pronuncia durante coletiva em Moscou, Rússia (Foto de arquivo)
AP
Chanceler russo Sergei Lavrov se pronuncia durante coletiva em Moscou, Rússia (Foto de arquivo)


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Lavrov afirmou que inúmeros países da região, que ele não quis especificar, pediram à Rússia para fazer uma oferta de asilo a Assad. O chanceler disse que respondeu às nações que fizessem a oferta diretamente ao presidente sírio. "Se existe alguém querendo dar garantias a ele, será bem-vindo", disse Lavrov enquanto entrava em um avião após participar da reunião da União Europeia em Bruxelas. "Nós seríamos os primeiros a dizer: 'Graças a Deus, a carnificina chegou ao fim!'. Se isso acabasse com a carnificina, o que é pouco provável."

Ele também afirmou que as armas químicas da Síria se concentram em uma ou duas áreas e estão "sob controle" no momento. Lavrov disse que a maior ameaça em relação às armas químicas sírias é que elas poderiam cair nas mãos dos militantes.

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"De acordo com a informação que temos, bem como com os dados dos serviços especiais dos EUA e da Europa, o governo está fazendo tudo para mantê-las em segurança", disse. "O governo sírio concentrou seu arsenal em um ou dois centros, diferente de antes, quando eles tinham armas por todo o país."

Lavrov afirmou que o enviado da ONU Lakhdar Brahimi, que busca estabelecer a paz através da diplomacia, visitará a Rússia antes do final do ano. Estima-se que o conflito entre as forças do governo Assad e os opositores que querem a deposição do presidente já deixou 44 mil mortos.

Violência

Neste sábado, um carro-bomba explodiu no distrito de Qaboun , no leste de Damasco, neste sábado, e relatos iniciais dizem que cinco morreram e vários ficaram feridos, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

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O grupo ainda relatou confrontos entres rebeldes e forças leais a Assad nas cercanias da vizinhança de Hajar al-Aswad, no sul de Damasco. O distrito está próximo do campo de refugiados palestinos de Yarmouk, que foi tomado pelos rebeldes esta semana.

Com AP e Reuters

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