Ataque mata ministro da Defesa e cunhado de Assad na Síria

Atentado também mata ex-ministro da Defesa e acontece no quarto dia consecutivo de confrontos em Damasco; comandante de rebeldes reivindica autoria de ação

iG São Paulo | - Atualizada às

No quarta dia consecutivo de ataques em Damasco, o ministro da Defesa da Síria, Dawoud Rajha, seu vice, Assef Shawkat, e o ex-ministro da Defesa Hassan Turkmani morreram nesta quarta-feira em uma explosão no prédio que abriga a sede da Força de Segurança Nacional no centro da capital.

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AP
Foto de 06/10/2011 mostra presidente sírio, Bashar al-Assad (E), ao lado do ministro da Defesa Dawoud Rajha (D), que foi morto em ataque suicida em Damasco em 18/07/2012

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De acordo com a TV estatal síria, o ataque foi lançado por um homem-bomba. Segundo a rede de TV CNN, o atentado também teria matado o ministro do Interior sírio, Mohammed Ibrahim al-Shaar. Mas, segundo a TV estatal síria, Shaar e o major-general Hisham Ikhtiar, que chefia o Departamento de Segurança Nacional, estão somente feridos e em condição estável no hospital.

A Casa Branca disse que a explosão mostrava que Assad estava "perdendo controle" da Síria. Enquanto as notícias sobre os assassinatos surgiram, sírios opositores do regime celebraram em vários locais em todo o país.

"O general Dawoud Rajha caiu como mártir no atentado terrorista contra o edifício da Segurança Nacional", disse a televisão, que havia informado mais cedo que a explosão aconteceu durante uma reunião de ministros e de autoridades da segurança. O vice Shawkat, que era uma das figuras mais temidas do círculo próximo de Bashar al-Assad, era casado com a irmã mais velha do presidente sírio, Bushra. Turkmani, por sua vez, era assistente direto de Assad desde 2004.

Em uma entrevista por telefone desde seu quartel-general na Turquia, Riad al-Asaad, comandante dos rebeldes sírios, reivindicou a autoria do atentado, o primeiro contra o círculo direto de poder nos 16 meses do levante popular, mas negou que tenha sido lançado por um suicida.

De acordo com Asaad, os rebeldes planejaram a ação por dois meses e colocaram uma bomba dentro do cômodo onde as autoridades estavam reunidas nesta quarta. Segundo ele, todos os que fizeram a ação estão seguros e o ataque marca o começo do fim. "Se Deus quiser, esse é o início do fim do regime. Esperamos que Bashar seja o próximo."

Funcionários dos serviços de segurança disseram que muitos outros participantes da reunião de alto nível ficaram feridos na explosão e foram levados ao hospital Al-Shami, da capital. Após a explosão, a área foi cercada por soldados governamentais, que fecharam ruas próximas. Várias ambulâncias estão no local.

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Ainda não está claro onde Assad estava no momento do ataque. Ele não fez nenhuma declaração direta sobre a ação, embora horas depois a TV estatal tenha anunciado que ele determinou que o general Fahd Jassem al-Freij, antes chefe do Estado-Maior, seja o novo ministro da Defesa.

Nascido em 1947, Rajha era também vice-presidente do Comando Geral do Exército e do Conselho de Ministros. Com longa carreira nas Forças Armadas, das quais foi comandante de batalhão e de brigada, ele ocupou o posto de chefe do Estado-Maior até ser nomeado ministro da Defesa, em agosto de 2011.

Os últimos grandes ataques contra figuras do governo e prédios governamentais aconteceram no início dos anos 1980, quando membros da Irmandade Muçulmana da Síria travavam uma guerra de guerrilha para derrubar o pai e antecessor de Assad, o presidente Hafez Assad.

As informações sobre o ataque contra autoridades do governo surgem em meio à escalada do conflito na Síria. Um vídeo divulgado na internet parece mostrar um acampamento em chamas diante do palácio presidencial em Damasco. Tiroteios intensos foram registrados também em vias de acesso ao sul da capital.

A oposição diz que está perto de derrubar o governo, mas autoridades desmentem. O Conselho de Segurança da ONU, que votaria nesta quarta-feira uma nova resolução sobre sanções à Síria, adiou a votação para quinta-feira.

Também nesta quarta, os EUA decidiram sancionar 29 altos dirigentes do regime sírio, entre eles vários ministros, anunciou nesta quarta-feira o Departamento do Tesouro.

Entre os 29 atingidos pelas sanções, estão os ministros das Finanças, Economia, Justiça, Informação, Agricultura, Construção, Saúde, Meio Ambiente, Cultura e Petróleo, assim
como o presidente do Banco Central.

Os EUA já aprovaram sanções contra cem membros do regime sírio, proibindo companhias americanas a fazer negócios com eles desde que começou a crise, em março de 2011.

*Com BBC, AFP e EFE

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