Síria usa helicópteros contra rebeldes em Damasco

Forças do governo já utilizaram tanques e veículos blindados nos confrontos na capital, mas o uso de força aérea reflete a intensidade dos combates; general desertor pede transição

iG São Paulo | - Atualizada às

Com apoio de helicópteros de ataque, forças do governo da Síria combateram rebeldes em fortes confrontos em Damasco , em uma clara escalada nos confrontos mais sérios na capital desde o início do levante antigoverno, em março de 2011, disseram ativistas.

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AFP
Oponentes do regime de Bashar al-Assad bloquearam ruas com pneus em chamas no bairro de Jobar, Damasco (16/07)

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Os duros choques, que são travados nos últimos três dias em ao menos quatro bairros da cidade, são o sinal mais recente de que o conflito sírio está rapidamente se tornando uma guerra civil que agora se aproxima do centro de poder do regime de Bashar al-Assad. As forças do governo já recorreram a tanques e veículos blindados nos confrontos na capital, mas o uso de força aérea reflete a intensidade e a seriedade dos choques.

Também nesta terça-feira, o general Manaf Tlass, o oficial de maior patente a desertar do Exército sírio e considerado ligado a Assad, anunciou em um comunicado transmitido à AFP que se encontra em Paris e deseja uma transição construtiva em seu país . Tlass, ligado à família de Assad e amigo de infância do presidente, era membro da Guarda Republicana, unidade de elite do governo, e filho de um ex-ministro da Defesa.

Em Damasco, o ativista Maath al-Shami, do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (com base no Reino Unido), disse que os combates desta terça-feira se concentram em Kfar Souseh, Nahr Aisha, Midan e Qadam. "Posso ouvir estouros e disparos e algumas explosões vindos da direção de Midan", disse al-Shami à Associated Press via Skype. "Fumaça negra está subindo da área."

A agência de notícias da Síria disse que os soldados ainda caçam "elementos terroristas" que fugiram de Nahr Aisha para Midan, referindo-se ao oponentes do regime. Um vídeo amador mostrou dois blindados com metralhadoras pesadas juntamente com soldados que supostamente avançavam em uma estrada vazia em direção a Midan nesta terça-feira.

Os ativistas apelidaram os confrontos na capital de "Vulcão de Damasco", no que parece ser uma tentativa de levar os combates ao centro de poder da Síria.

Desertor: General Manaf Tlass está em Paris e pede transição na Síria

Os confrontos são os mais contínuos e espalhados na capital desde março de 2011 e desde o início da repressão que, segundo ativistas, deixou mais de 17 mil mortos. No passado, os choques aconteciam a noite na capital. Agora, os confrontos acontecem durante o dia.

Damasco — e a maior cidade da Síria, Aleppo —, abrigam as elites que se beneficiaram dos laços próximos com o regime de Assad, assim como classes mercantis e grupos minoritários que temem perder seu status se o presidente sírio cair.

Enquanto a violência sai do controle, os esforços diplomáticos para pôr fim ao banho de sangue fracassaram, com as potências ainda profundamente divididas sobre quem é responsável e como parar os confrontos. Os EUA e muitas nações ocidentais pediram para Assad deixar o poder, enquanto a Rússia , China e Irã se posicionaram a favor do regime.

EFE
Reprodução de vídeo mostra veículo em chamas em Naher Aisha, Damasco, Síria (16/07)

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, dirigiu-se à China na terça-feira como parte de um esforço diplomático para fazer com que a Rússia e a China apoiem uma resposta mais dura para os ataques do regime de Assad. Enquanto Ban é esperado na quarta na China, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, reuniu-se com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou para discutir o conflito.

As viagens são feitas antes de uma votação no Conselho de Segurança da ONU nesta semana. Uma resolução apoiada pelo Ocidente pede por sanções e invoca o Capítulo 7 da Carta da ONU, que autoriza ações que incluem em último caso o uso da força - que autoridades americanas e europeias agora estão considerando como possibilidade.

Armas químicas

A violência continua um dia depois de Nawaf Fares, embaixador no Iraque que desertou do regime , ter afirmado que Assad não duvidaria em recorrer a armas químicas se enfrentar mais dificuldades e não ter descartado a possibilidade de elas já terem sido utilizadas em Homs.

Em entrevista à cadeia BBC, Fares disse que há informações não confirmadas sobre o uso dessas armas e também afirmou que os principais ataques na Síria teriam sido planejados pelo regime de Damasco em colaboração com a rede terrorista Al-Qaeda.

Fares é considerado o diplomata mais graduado a abandonar o regime de Damasco desde o começo do conflito. Questionado se Assad poderia utilizar armas químicas contra a oposição, o político e diplomata não descartou essa hipótese e qualificou o presidente sírio como "um lobo ferido e encurralado".

Apelo: Embaixador sírio que desertou convoca políticos e militares a abandonar regime

AFP
Foto mostra destruição no bairro de Juret al-Shayyah, em Homs, região central da Síria (16/07)

"Há informações não confirmadas, é claro, de que foram utilizadas parcialmente armas químicas na cidade de Homs", disse. Em referência à possibilidade de uma colaboração com a Al-Qaeda, Fares assinalou que "na história há evidências suficientes de que muitos inimigos se encontram quando têm interesses".

"A Al-Qaeda está buscando um espaço para movimentar-se e meios de apoio, enquanto o regime (sírio) procura uma maneira de aterrorizar a população síria", explicou. Fares acrescentou que Assad não deixará o poder por uma intervenção política, apenas se for "tirado à força".

*Com AP e EFE

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