Turquia ameaça ação militar contra Síria se fronteira for violada

Advertência é feita por primeiro-ministro quatro dias depois de jato turco ter sido abatido por forças de Damasco; secretário-geral da Otan classifica incidente de 'inaceitável'

iG São Paulo | - Atualizada às

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, advertiu nesta terça-feira que o Exército turco responderá a qualquer violação futura de suas fronteiras por ações militares da Síria. A advertência foi feita quatro dias depois do abate de um avião militar turco por tropas sírias.

Abatido: Avião militar da Turquia 'some' perto da fronteira com a Síria

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Primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, fala perante o Parlamento em Ancara

Aumento de tensão: Turquia acusa Síria de derrubar segundo avião

"As regras de engajamento das Forças Armadas da Turquia mudaram", disse Erdogan perante o Parlamento turco. "Qualquer elemento militar que se aproximar da fronteira turca a partir da Síria representando um perigo e risco de segurança será considerado uma ameaça e tratado como um alvo militar", declarou.

A Síria insiste que a aeronave violou seu espaço aéreo na sexta-feira e não sabia que o avião era turco, mas a Turquia diz que, apesar de o jato F-4 Phantom ter entrado sem intenção no espaço aéreo sírio , estava 1,6 km dentro do espaço aéreo internacional quando foi derrubado . Além disso, em carta à ONU, a Turquia diz ter interceptado comunicações de rádio mostrando que unidades sírias estavam cientes de que se tratava de um avião turco.

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, classificou o incidente de inaceitável nesta terça-feira, pouco depois de a Turquia - que é membro da aliança militar -  ter passado informações para os embaixadores em Bruxelas em reunião mantida sob o artigo 4º do organismo, que permite que qualquer país-membro faça consultas caso acredite que sua segurança esteja ameaçada.

É a segunda vez que esse artigo é invocado na história da Otan - a primeira vez foi também pela Turquia, em 2003, quando Ancara pediu assistência para garantir sua segurança diante da iminência da guerra do Iraque.

Mas apesar de Rasmussen ter dito que a organização condena a ação contra o jato "em seus termos mais duros" e ter expressado solidariedade à Turquia, não fez nenhuma menção a uma ação retaliatória. Rasmussen disse diversas vezes previamente que a aliança precisaria de um mandado internacional - além de apoio regional - para iniciar qualquer ofensiva internacional na Síria.

Previamente ao encontro, um oficial da Otan ouvido pela agência de notícias Associated Press disse que a Otan deveria ouvir as preocupações turcas, mas não adotaria nenhuma medida militar, que dependeria da aprovação de seus 28 países-membros.

No ano passado, a aliança comandou ataques aéreos contra alvos líbios após receber um mandato do Conselho de Segurança da ONU , com apoio da Liga Árabe. No caso da Síria, porém, a Liga Árabe não concordou com uma intervenção militar, temendo que o conflito sírio pudesse ter efeitos profundos no Oriente Médio .

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Além disso, Rússia e China - membros com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU - têm constantemente protegido a Síria de sanções internacionais.

'Ato hostil'

AP
Vista da entrada da sede da Otan em Bruxelas, Bélgica

Erdogan disse que a Síria abateu o jato em espaço aéreo internacional de uma forma "deliberada" e "hostil" e sem emitir nenhum alerta. Segundo ele, violações de fronteira na região não são incomuns. Ele disse que helicópteros sírios violaram o espaço aéreo turco cinco vezes recentemente, sem resposta turca.

"Ninguém deveria se enganar com nossa posição moderada", disse o premiê turco. "Nossa atuação com bom senso não deveria ser vista como fraqueza", alertou.

O vice-premiê turco, Bulent Arinc, disse que o abate do jato na Síria foi um "ato hostil da mais alta ordem". As tensões bilaterais aumentaram na segunda-feira, quando a Turquia acusou o país vizinho de derrubar também um avião de resgate .

As relações entre os dois países já vinham se deteriorando - o governo turco tem sido um dos mais fortes críticos à repressão síria às manifestações contra o regime do país árabe.

*Com AP e BBC

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