Rússia planeja enviar navios à base síria; Obama e Putin debatem conflito no G20

Agência russa diz que duas embarcações com marines estão prontas para proteger cidadãos russos e infraestrutura de base; presidentes veem 'pontos em comum' sobre conflito

iG São Paulo | - Atualizada às

Em seu primeiro encontro desde que Vladimir Putin assumiu seu terceiro mandato como presidente russo em maio, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os dois concordaram nesta segunda-feira sobre a necessidade de um processo político na Síria para evitar a guerra civil em todo o país, afirmando que quaisquer tensões entre os EUA e a Rússia podem ser trabalhadas. O presidente russo, por sua vez, afirmou que ele Obama encontraram muitos "pontos comuns" em conversas sobre a crise síria e continuarão as discussões.

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Os presidentes de EUA e Rússia prometeram trabalhar com outros agentes internacionais, incluindo o enviado especial para a Síria, Kofi Annan, para encontrar uma solução para a crise no país árabe.

O encontro ocorreu no mesmo dia em que a agência de notícias russa Interfax anunciou que dois navios navais com marines (fuzileiros navais) - Nikolai Filchenkov e Caesar Kunikov - estão prontos para dirigir-se à Síria para proteger os cidadãos russos e uma base naval no país árabe, no que pode ser o primeiro reforço conhecido de presença militar de Moscou desde o início do levante para depor o presidente sírio, Bashar al-Assad, há 15 meses.

Citando uma autoridade da Marinha russa, a Interfaz afirmou que dois navios de assalto anfíbios se encaminhariam ao porto Mediterrâneo de Tartus, onde a Rússia tem sua única base naval na região do Oriente Médio.

O oficial não deu uma data precisa para o envio das embarcações nem anunciou quantos marines serão posicionados na base. Cada navio tem capacidade para levar 300 marines e uma dezena de tanques, de acordo com informações da mídia russa.

A Rússia tem sido o aliado mais forte de Assad desde o início do levante, protegendo o regime de Damasco de medidas internacionais para retirá-lo do poder.

Moscou também é o maior fornecedor de armas da Síria, em relação que oferece à Rússia um papel de peso na diplomacia do Oriente Médio. De acordo com a autoridade cidade pela Interfax,  os navios estão "prontos para garantir a segurança dos cidadãos russos e a infraestrutura da base naval russa" em Tartus.

A autoridade afirmou que os tripulantes "se uniram a unidades de marines que são capazes de proteger a segurança dos cidadãos russos e retirar uma parte da propriedade da base logística". O envio das embarcações e dos militares parece refletir a preocupação crescente de Moscou com o futuro de Assad e com a escalada do conflito.

Questionado se o Pentágono estava preocupado com o plano russo, autoridades em Washington responderam que dependia da missão. Eles disseram não ter nenhum comentário sobre o objetivo declarado de proteger cidadãos russos e a posição militar russa no país, algo que os EUA fariam em um país estrangeiro em uma situação similar.

O que preocuparia os EUA, disse o porta-voz John Kirby, é se os navios russos estivessem levando armas ou pessoas para apoiar o regime de Assad na repressão. "O secretário de Defesa (Leon Panetta) continua preocupado com quaisquer esforços de países ou organizações externas de fornecer armas letais ao regime sírio para que possam matar seu próprio povo", disse Kirby.

*Com AP, New York Times e Reuters

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