Annan condena massacre de Houla; há 49 crianças e 34 mulheres entre mortos

Detalhes de massacre de 108 surgem enquanto enviado especial chega a Damasco e Moscou critica Síria; mais 24 morreram nesta 2ª

iG São Paulo |

Entre os 108 mortos do massacre de sexta-feira em Houla, área de vilas agrícolas pobres na Província de Homs, no centro da Síria, havia 49 crianças e 34 mulheres, segundo a ONU. Também de acordo com essa organização, algumas das vítimas foram mortas com disparos na cabeça. Nesta segunda-feira, novos focos de violência teriam deixado ao menos 24 mortos em vários bairros de Hama.

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AP
Imagem divulgada por ativistas diz mostrar corpos de vítimas de massacre em Houla (26/05)
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Os detalhes sobre o massacre, que ainda não está claro que tenha sido cometido apenas por forças do regime de Bashar al-Assad, surgiram no mesmo dia em que Rússia criticou de forma mais dura seu tradicional aliado e em que o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, chegou a Damasco para reunir-se com o presidente sírio e outras autoridades. Ele pediu que "todo indivíduo armado" na Síria abaixe suas armas, dizendo se sentir horrorizado com o massacre de Houla.

"Esse foi um crime apavorante, e o Conselho de Segurança da ONU de forma correta o condenou", disse Annan em um comunicado. "Aqueles responsáveis por esses crimes brutais têm de prestar contas, e sei que o governo também está investigando o caso. É a população síria, cidadãos comuns desse grande país, que paga o preço mais alto do conflito. Nosso objetivo é parar esse sofrimento. Deve parar, e agora."

Apesar de responsabilizar a oposição também pelo massacre, afirmando que há terroristas entre os opositores, a Rússia adotou nesta segunda-feira um discurso mais duro em relação a Damasco. O chanceler russo, Sergei Lavrov, culpou principalmente o governo pela carnificina que ocorre no país árabe desde o início do levante antigoverno, há 15 meses.

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"O governo tem a maior parte da responsabilidade sobre o que está acontecendo", disse Lavrov depois de um encontro com o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague. "Qualquer governo em qualquer país detém a responsabilidade pela segurança de seus cidadãos."

De acordo com analistas, o discurso desta segunda pode indicar que a Rússia esteja alertando Assad de que ele precisa mudar o curso se não quiser perder o apoio de Moscou, que tem sido uma grande base de proteção para o regime durante a revolta iniciada em março de 2011.

O Conselho de Segurança da ONU culpou as forças sírias para disparos de artilharia e de tanque nas áreas residenciais, mas não anunciou claramente quem era o responsável pelas mortes com disparos à queima-roupa e o "severo abuso físico" de civis.

Ativistas na área disseram que o Exército atacou as vilas com artilharia e entrou em confronto com os rebeldes. Eles disseram que atiradores pró-governo mais tarde invadiram a área, causando a maior parte das mortes ao disparar contra homens nas ruas e esfaquear mulheres e crianças em suas casas.

O governo sírio rejeitou essa versão , dizendo que soldados foram atacados em suas bases e revidaram em autodefesa sem sair de suas posições. A Rússia culpou os dois lados pelo massacre .

"Os dois lados obviamente causaram as mortes de inocentes, incluindo dezenas de mulheres e crianças", disse Lavrov. "Essa área é controlada pelos rebeldes, mas também é cercada pelos soldados do governo."

O chanceler russo disse que Moscou quer que Assad guie sua própria transição pelo plano de paz elaborado por Annan. "Nós não apoiamos o governo sírio; apoiamos o plano de Annan", disse Lavrov.

Reuters
Agente da ONU conversa com vítimas ao lado de crianças mortas no massacre de Houla (26/05)
Perder o apoio da Rússia seria desastroso para Assad, porque a repressão conduzida contra a oposição o deixou quase completamente isolado internacionalmente. Até agora, a Rússia e a China se mantiveram a seu favor, usando o poder de veto para bloquear resoluções contra ele no Conselho de Segurança da ONU.

Ativistas dizem que até 12 mil morreram desde o início do levante. Quando a revolta completou um ano, em março, a ONU pôs o número em mais de 9 mil , mas centenas morreram desde então.

O plano de seis pontos de Annan, que pede pelo cessar-fogo e o diálogo, vem estremecendo há semanas. Mas os líderes ocidentais têm depositado suas esperanças na pressão diplomática, já que os EUA e outros não querem se envolver profundamente em outro tumulto em uma nação árabe.

A persistente violência na Síria reflete a fragilidade do cessar-fogo adotado em 12 de abril, pacto considerado o requisito básico do plano de Annan. Para o enviado especial, seu plano de seis pontos para dar uma saída à crise deve ser aplicado de maneira global, mas, em sua opinião, "isto não está ocorrendo".

O enviado pretendia se reunir ainda nesta segunda-feira com o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Muallem, e na terça-feira com o presidente Assad. Annan já havia se reunido com o líder sírio, assim como com um grupo da oposição, em 10 de março, em sua primeira visita a Damasco para apresentar seu plano de paz.

Essa iniciativa estipula, entre outros pontos, um cessar-fogo, a retirada das tropas das cidades, a libertação dos presos políticos, a entrada de ajuda humanitária e o início de um diálogo entre as autoridades e a oposição. Há atualmente quase 300 observadores da ONU mobilizados no país para verificar o andamento do plano. O mandato da Missão de Supervisão na Síria (UNSMIS) é de 90 dias e expira em julho.

*Com AP e EFE

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